Escândalo da Fifa faz governo suíço estudar mudança na lei

Proposta principal é acabar com a condição de entidade sem fins lucrativos dada às confederações esportivas

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2010 | 00h00

A Fifa corre o risco de perder seus privilégios tributários e de ter suas práticas investigadas pela Justiça comum. A entidade, criada em Paris há mais de cem anos, optou por se estabelecer na Suíça para ficar isenta do pagamento de impostos e por ser blindada de processos legais. Agora, diante do pior escândalo de corrupção em anos, o governo suíço quer ter o poder de investigar e cobrar impostos da Fifa.

Para isso, anunciou ontem que está revendo suas leis. A ideia é tirar da Fifa o status de entidade sem fins lucrativos. Isso permitiria a cobrança de impostos sobre a entidade, que está sentada sobre US$ 1 bilhão (R$ 1,8 bilhão) em fundos e que organiza eventos bilionários. Além disso, a mudança abrirá caminho para que os tribunais comuns possam investigar práticas de corrupção, concorrências desleais e fraudes.

Uma série de investigações feitas nos últimos dias aponta uma indústria de compra e venda de votos, com empresas criadas especialmente para atuar nesse mercado, com cartolas da Fifa se oferecendo como intermediários Nas transferências de dinheiro.

As revelações começaram a surgir há uma semana, quando o jornal britânico Sunday Times publicou gravações secretas mostrando dois dos 24 integrantes do Comitê Executivo negociando a venda de seus votos para as Copas de 2018 e 2022. Mas os mais de 500 minutos de gravações secretas mostram que a escolha da sede das Copas do Mundo, o maior evento esportivo do planeta, envolve um esquema ainda mais nebuloso.

Gravações. O Estado teve acesso a trechos das gravações que a Fifa teve o direito de consultar para suas investigações. A constatação é de que a prática já estaria estabelecida há anos e praticamente virou lei. Se de um lado cartolas estão dispostos a negociar a venda de seus votos, de outro países são incentivados a ter até um orçamento separado para pagar propinas, como no caso de Espanha e Catar.

Michel Zen-Ruffinen, expulso da Fifa em 2002, foi pego em uma gravação explicando que se um país queria o voto de alguém do Conselho, precisava oferecer mais do que os demais. "Isso é o que garante (o voto)", disse o ex-dirigente.

Já do lado da Fifa, os altos executivos também querem lucrar. Alguns deles agem como intermediários entre os países e o grupo de 24 com direito a voto. Se oferecem para "saber" o custo de cada voto. Em troca, recebem até US$ 800 mil (R$ 1,4 milhão) pelo serviço prestado.

INFORMAÇÃO VALIOSA

R$ 1,4

milhão é o valor suspeito de ser pago a espiões encarregados de descobrir o preço de cada voto do Conselho Executivo da Fifa.

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