Espanha acusa Rússia de comprar a indicação

Inglaterra também se revolta e alega ter sido vítima de trapaça por parte de Moscou. Putin diz que vitória foi limpa

Jamil Chade ENVIADO ESPECIAL / ZURIQUE, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2010 | 00h00

ZURIQUE

A Espanha acusa a Rússia de ter "comprado" a Copa do Mundo, enquanto a Inglaterra alega que foi trapaceada e que a Fifa terá de mudar se quiser "sobreviver". Mas, para o primeiro-ministro Vladimir Putin, as alegações não se justificam. "Hoje, nós ganhamos e a Inglaterra perdeu. Foi só isso", disse o chefe do Kremlin que, assim como o Brasil, acumula em seu currículo uma Olimpíada (de Inverno, em 2014) e, agora, uma Copa.

Putin decidiu viajar até Zurique apenas depois da votação, alegando que as campanhas dos demais países haviam sido "sem escrúpulos" e que ele não iria mais pressionar a Fifa. Mas deu uma dica de que a economia de fato poderia ter sido decisiva.

"Vimos o que está acontecendo na economia da Europa. Mas nós temos reservas de ouro e uma ampla riqueza em nosso subsolo que nos permitem garantir recursos para esses eventos." Não por acaso, no lugar de Putin, a delegação russa contava com alguém de relevância para a Fifa: o magnata Roman Abramovich, que fez sua fortuna exatamente com o petróleo. "Ele trabalhou muito nessa campanha e queremos que ele construa um estádio", lançou Putin.

Foi exatamente a presença de Abramovich que chamou a atenção. Para Vicente Del Bosque, técnico da Espanha, o dinheiro falou mais alto. "Hoje, ganhou o poder do dinheiro", disse. O ataque foi feito justamente duas horas depois de o presidente da Federação Espanhola de Futebol, Angel Villar, ter declarado diante dos membros da Fifa que "todos eram trabalhadores honestos" e que estavam sendo alvo de "calúnias". Isso, claro, antes do voto. Com a derrota de ontem, a Europa Ocidental passará pelo menos 20 anos sem uma Copa.

No time inglês, o primeiro-ministro David Cameron, não se conformava. "Tínhamos a melhor candidatura", afirmou Cameron, que passou três dias fazendo lobby para ganhar apenas um voto. "Se a Fifa quiser sobreviver, não poderá continuar assim", atacou o prefeito de Londres, Boris Johnson. O chefe da candidatura americana derrotada, Sunil Gulati, também partiu para o ataque. "A Fifa terá de rever seu processo de escolha", alertou.

Putin preferiu elogiar os membros da Fifa e deixou no ar uma resposta sobre o motivo da escolha. "A Copa não pode ficar sempre no mesmo país. Tem de sair e isso é bom para os negócios da Fifa", falou. "O mundo não pode ter muros, nem imaginários."

Para obter a Copa, os russos não economizaram. Gastaram US$ 40 milhões (R$ 68 milhões) apenas na campanha, a mais cara de todas. Prometem US$ 3 bilhões (R$ 5 bilhões) para estádios e para ligar todas as cidade por trens de alta velocidade.

O PAÍS

Nome oficial: Federação

Russa

População: 139,39 milhões

Regime de governo:

República presidencialista

PIB: R$ 3,5 trilhões

Renda per capita:

R$ 25,7 mil

Melhor colocação em Copas: 4º lugar (Inglaterra/1966), ainda como União das Repúblicas Socialistas Soviéticas

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