Espanha tem de driblar poças d?água no Rio

Goteiras no Maracanãzinho atrapalham treino e irritam os atuais bicampeões da competição

Bruno Lousada, O Estadao de S.Paulo

30 de setembro de 2008 | 00h00

Goteiras e um balde colocado às pressas no centro da quadra do Maracanãzinho, ginásio que receberá no Rio as partidas da Copa do Mundo de Futsal, atrapalharam o treino de ontem da Espanha, bicampeã mundial. Os jogadores reclamaram da situação constrangedora e inusitada na véspera do início da competição. "O problema causou incômodo em todos e afastou o foco do trabalho", desabafou o defensor Carlos Ortiz, demonstrando irritação. A seleção espanhola assustou-se ao ver gotas d?água caindo do teto e, sem alternativa, passou a fazer a sua atividade em meia quadra. Limitou-se a arriscar chutes a gol. Foi o que restou para não perder um dia inteiro de treinamento, uma vez que o chão escorregadio poderia causar a contusão de um atleta. Na base do improviso, além do balde na quadra, até funcionários do almoxarifado foram recrutados para ajudar a secar o piso. No total, quatro pessoas revezaram-se com o rodo em mãos. Tiveram muito trabalho e chegaram a ouvir desaforo dos espanhóis. "Os pingos caíram em toda quadra, não havia jeito. Os caras ficaram bravos e reclamaram à beça. Isso só acontece no Brasil mesmo", declarou um funcionário do ginásio, sob condição de anonimato. De acordo com a Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj), administradora do Complexo do Maracanã, o incidente ocorreu por causa de uma infiltração no teto do ginásio, precipitada pela forte chuva que atingiu o Rio no fim de semana. Ainda segundo o órgão responsável, o reparo já foi feito. Inaugurado em 1954, o Maracanãzinho foi totalmente reformado - ganhou ar-condicionado central, placar de quatro faces e novo sistema de som - para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Orçada inicialmente em R$ 17,9 milhões, a recuperação do ginásio consumiu R$ 90 milhões dos cofres públicos - cinco vezes mais que o previsto. O técnico espanhol, José Venancio Hierro, tratou de abafar a polêmica. "Geralmente a imprensa só se preocupa com o lado negativo", destacou. Hierro preferiu falar sobre o favoritismo atribuído à Espanha, que tem três brasileiros (os pivôs Marcelo e Fernandão, e o ala Daniel) em seu elenco e lutará pelo terceiro título consecutivo da competição. A equipe estréia quarta-feira, contra o Irã, no Maracanãzinho."Favoritismo é normal. Todo mundo gostaria de estar no nosso lugar", declarou Hierro. "Mas é claro que a responsabilidade também é maior."

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