Especialista condena a maioria dos estádios

Desde a tragédia da Fonte Nova, o Brasil passou a olhar com mais cuidado para o estado de conservação de suas arenas esportivas. Semanas antes da morte de sete pessoas em Salvador, o Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia (Sinaenco) divulgou estudo em que condenava a maior parte dos estádios do País. A partir disso, uma série deles foi fechada pela CBF e por federações estaduais. Só em São Paulo, o Anacleto Campanella (em São Caetano) e o Canindé (da Portuguesa) passam por reformas drásticas. Mas não basta. Para o arquiteto Carlos de La Corte, que recentemente concluiu tese de doutorado sobre o tema na Universidade de São Paulo, a maioria dos estádios brasileiros precisa de tantas reformas que sairia mais barato implodi-los e construir novos. "Isso para adequar os estádios às regras mais rigorosas de segurança e conforto, como aquelas aplicadas na Inglaterra", explica. De La Corte apresentou seu projeto na Câmara dos Deputados em dezembro. "O maior problema é a falta de normativas claras sobre o assunto, de regulamentação", diz. Em quatro anos de trabalho, visitou arenas em Portugal, França, Espanha, Inglaterra e Alemanha, e as comparou a dezenas de estádios no Brasil, com ênfase especial em quatro: Pacaembu, Morumbi, Mineirão e Maracanã.De La Corte submeteu as quatro arenas a um questionário com 250 itens - de conforto, visibilidade, segurança e acesso. E conclui que todos eles teriam de reduzir drasticamente a capacidade para abrigar aos torcedores de forma adequada.Descontando-se os "pontos cegos" (em que a visibilidade do campo não é total) e o excesso de assentos entre escadas (que dificulta e atrasa a saída dos torcedores), o Morumbi, por exemplo, teria que ser reduzido de 72.039 para 37.353. No Mineirão, a redução seria de 75.783 para 53.537 assentos. O Maracanã também sofreria: dos atuais 87.142 para 56.308 lugares. O Pacaembu tampouco escaparia do corte, de 40.260 para 24.758 assentos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.