Alexandre Urch/MPIX/CPB
Alexandre Urch/MPIX/CPB

Espelho para filha, Joaninha segura emoção para brilhar na natação paralímpica

Nadadora de 1,23 m já está classificada para Mundial, no México

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

25 de abril de 2017 | 16h14

Joana Neves, mais conhecida como Joaninha pela estatura de 1,23 m, já está em contagem regressiva para o período em que ficará sem ouvir a voz da filha Janilly Vitória, de 9 anos. Entre 30 de setembro e 6 de outubro, disputará o Mundial Paralímpico de Natação, na Cidade do México, e repetirá a prática de cortar o contato com a família durante competições importantes.

"Como fico muito tempo longe, a saudade bate quando falo com ela. É doloroso, prefiro ficar só com a foto mesmo. Se eu falo, a lágrima desce. Meu psicológico cai muito", conta a atleta, que conquistou duas medalhas de prata e uma de bronze nos Jogos Paralímpicos do Rio.

Para passar mais tempo com a filha, a nadadora da classe S5 construiu sua casa acima da moradia dos pais, em Natal. Em sua ausência, a menina fica aos cuidados da avó. Apesar da saudade, é um erro pensar que Janilly quer uma vida diferente no futuro; o sonho é seguir os passos da mãe e tornar-se atleta olímpica, fora das piscinas. Há um ano pratica caratê - esporte incluído no programa olímpico nos Jogos de Tóquio, em 2020 -, e Joaninha mostra orgulho ao dizer que a pupila, quatro centímetros maior que ela, já soma 27 medalhas.

Dedicação é uma marca de mãe e filha. A partir desta semana, a potiguar passará a treinar em dois períodos. "O volume de treino vai aumentar na natação e na academia, meu objetivo agora é Tóquio. Hoje já vejo isso mais próximo", afirma. 

A natação entrou na vida de Joaninha por recomendação médica. A atleta tem acondroplasia (nanismo desproporcional, causado por mutações genéticas) e precisou aprender a conviver com fraturas na infância e adolescência. "Tinha de andar pisando em ovo. Vivia mais engessada do que sem gesso, minha última queda foi quando fraturei minha perna esquerda, fiz cirurgia de urgência", relembra. 

Até hoje toma cuidado com o andar para evitar novas lesões, mas o problema virou parte do passado graças ao esporte, que ajudou no fortalecimento de seu corpo. A natação também lhe deu possibilidade de dar à filha tudo o que lhe faltou na infância simples. "É gratificante saber que todos os dias a gente vai ter uma alimentação boa. Me motiva mais ainda, quando a gente é mãe, não quer que nada falte para os nossos filhos."

 

Tudo o que sabemos sobre:
NataçãoParalimpíada

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.