Esperança de Lais é pesquisa pioneira com células-tronco

Esperança de Lais é pesquisa pioneira com células-tronco

Ex-atleta é a primeira pessoa a receber autorização do governo norte-americano para este tipo de tratamento

Gonçalo Junior - Enviado Especial - Miami, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2014 | 17h00

Lais é a primeira pessoa tetraplégica a receber autorização do governo norte-americano para iniciar um tratamento experimental com injeções de células-tronco, em um procedimento aprovado pelo FDA. Foram retiradas células da bacia e da pélvis e injetadas no local da lesão em duas aplicações, maio e junho. A última será feita neste mês.

De acordo com Antônio Marttos, médico de Lais, as células-tronco têm potencial para recuperar aquelas que foram prejudicadas pela lesão da medula. “Não vamos prometer nada sobre até aonde a Lais pode ir. Temos de perder a ansiedade. Não vai acontecer amanhã. São meses para as coisas acontecerem no corpo dela”. Mover os membros superiores, de alguma forma, já seria um grande ganho de qualidade de vida. No momento, ela mexe só os ombros.

A cada aplicação, feita com células retiradas de sua pélvis, ela fica quatro dias na UTI. Seu nome foi colocado à frente de mais de 70 pessoas que também estavam na fila. “Estamos diante da maior operação médica de esportes que já se montou no mundo para atender uma atleta que merece atenção privilegiada”, disse Marttos. Mesmo com a cautela dos médicos, a ex-atleta diz que está percebendo mudanças positivas. “Tenho percebido mais sensibilidade nos pés e mãos, um pouco no braço, barriga, costelas. Nos braços sinto que a sensibilidade vem aumentando de cima para baixo”.

O tratamento está sendo desenvolvido pelo Miami Project to Cure Paralysis, o maior centro do mundo dedicado à cura da paralisia. Trata-se de uma pesquisa ousada que, segundo os médicos, pode ser comparada à divisão do átomo ou a viagem à Lua. O próximo passo será a aplicação de células nervosas retiradas da perna, conhecidas como células Schwann. Esse tratamento é feito apenas em fases agudas (logo após o acidente), de lesões torácicas ou testes com animais. Os bons resultados motivaram a aplicação no caso Laís.

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