Lauro de Souza Junior/CBCa
Lauro de Souza Junior/CBCa

Isaquias e Erlon, da canoagem, treinam em reduto fechado de base militar em Lagoa Santa (MG)

Esperança de pódio na Olimpíada de Tóquio, dupla brasileira mantém ritmo durante a pandemia porque está isolada em condomínio exclusivo com três casas

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2020 | 05h03

A maioria dos atletas brasileiros não teve condições ideais de treinamento nos últimos meses por causa do fechamento de clubes, pistas, ginásios e piscinas em todo País. A pandemia do novo coronavírus afetou o esporte nacional, mas uma dupla que tem ótimas chances de brilhar nos Jogos de Tóquio, no próximo ano, conseguiu manter o ritmo: Isaquias Queiroz e Erlon de Souza. Eles vivem em Lagoa Santa (Minas Gerais) e têm acesso a um espaço exclusivo para praticar a canoagem velocidade.

Na cidade mineira distante 35 quilômetros de Belo Horizonte, Erlon e Isaquias puderam manter a rotina por causa das instalações que são usadas pela Equipe Nacional Permanente da Confederação Brasileira de Canoagem. Lá, eles moram em um pequeno condomínio exclusivo de três casas, que são ocupadas pelos atletas e membros da comissão técnica.

Para ajudar ainda mais no isolamento, o local fica dentro de uma base da Polícia Militar de Minas Gerais, então os atletas não têm contato com pessoas externas. "Estamos nos virando, treinamos um período somente do dia para diminuir bastante a nossa saída, e a nossa academia fica agora em casa agora, o que facilita bastante. Eu saio só quando preciso comprar algo essencial ou para ir no treinamento", explica Erlon, que ao lado de Isaquias foi medalha de prata no C2 1.000m nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.

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Estamos nos virando, treinamos um período somente do dia para diminuir bastante a nossa saída
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Erlon de Souza, medalha de prata na Olimpíada de 2016

A transferência da academia de ginástica para perto dos atletas facilitou ainda mais o treinamento deles e diminui o deslocamento. Os equipamentos de canoagem são guardados lá e bem perto, a apenas alguns passos de distância, está a lagoa onde eles fazem as atividades na água. O espaço é exclusivo para treinamento dos atletas de elite da seleção brasileira e foi lá que o ex-técnico da dupla, Jesus Morlán, falecido no final de 2018, criou o projeto de transformar os brasileiros em campeões.

Apesar da perda precoce do treinador espanhol, tanto Erlon quanto Isaquias colocaram na cabeça que querem brilhar em Tóquio para homenagear o antigo mestre. Agora, eles estão sendo treinados por Lauro de Souza Júnior, que era o auxiliar de Morlán e aprendeu muita coisa com ele. Depois disso, veio o adiamento da Olimpíada, que também teve um peso grande na programação deles. "Se eu falar que eles não sentiram um pouco, vou estar mentindo. Mas, passados dois, três dias, chamei eles para conversar e pusemos tudo de novo nos trilhos", conta.

"Eu fui bem claro com eles, porque eles são atletas experientes, são homens: 'a gente vai chegar bem ano que vem, desde que todo mundo mantenha o mesmo foco e a mesma motivação, a mesma disciplina nos treinamentos'. Temos uma equipe que os atletas têm uma idade boa, então isso não afeta. Esse ano, após Tóquio, eu tinha um plano de dar descanso para eles após a Olimpíada. São muitos ciclos completos, teríamos férias maiores, eles estavam contando com isso. Se eles estiverem motivados para esse adiamento, será mais um ano de trabalho", continua.

O período de descanso seria após os Jogos, que estavam programados inicialmente para julho. Com isso, a opção foi para não parar agora e seguir até 2021, continuando o mesmo trabalho até a nova data da Olimpíada. "Nós mexemos um pouco em virtude das restrições por causa da epidemia, mas não mexi ainda em virtude da mudança de data dos Jogos. A ideia é a gente seguir treinando da forma que a gente consiga chegar bem. Não é interessante para a gente ter férias agora, independentemente da mudança de data dos Jogos", diz.

 

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