Esperança de pódio se resume a Cielo e França

Outros atletas da equipe brasileira não têm marcas boas o bastante para competir por medalhas na piscina

ALESSANDRO LUCCHETTI, ENVIADO ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2012 | 03h08

A natação brasileira inicia amanhã pela manhã sua garimpagem de medalhas em Londres. Desde 2008, quando deu ao Brasil seu primeiro ouro olímpico na história dos Jogos, Cesar Cielo ganhou a companhia de um único nadador com chances reais de subir ao pódio: Felipe França, dos 100m peito. Os dois repartem um fardo nada leve. A quatro anos dos Jogos do Rio, o próximo país-sede tem pouco a mostrar no Aquatics Centre.

A natação feminina não dá sinais claros de que vai engatar a primeira marcha. Apenas quatro mulheres defendem as cores nacionais na capital inglesa, e sem chance de pódio: Fabíola Molina, Joanna Maranhão, Daynara de Paula e Gracielle Herrmann. Presença na final olímpica é o máximo a que podem aspirar.

França tenta estender aos 100m peito seu domínio nos 50m do mesmo estilo, prova na qual foi campeão mundial em Xangai, no ano passado.

Ontem, França recusou convites para passear com os pais, que estão em Londres, para armazenar todas as suas energias. Ele nada as eliminatórias e, se avançar, a semifinal, às 15h30. Felipe Lima também representa o Brasil na prova.

Thiago Pereira participará dos Jogos Olímpicos pela terceira vez. Trocou de técnico e agora recebe as orientações de Alberto Pinto da Silva, o mesmo de Cielo. O representante brasileiro nas provas de medley se autocongratula por ter tomado providências que talvez já devesse ter adotado há muito tempo, como seguir orientações de nutricionista. Talentoso, como provou já aos 18 anos, com o quinto lugar nos 200m medley de Atenas-2004, tem o azar de competir contra dois dos maiores nadadores da história: Michael Phelps e Ryan Lochte.

Além dos dois norte-americanos, também sofre com a concorrência do húngaro Laszlo Cseh e do britânico James Goddard, nos 200m medley. Difícil, mas Thiago ao menos fez a melhor preparação de sua carreira. Ele cai amanhã cedo na água para as eliminatórias dos 400m quatro estilos.

Cielo tem todas as condições de alcançar o bicampeonato olímpico, como provam suas marcas neste ano. Ele é o líder do ranking, com 21s38. Segundo Albertinho, como seu técnico é conhecido, treinou o suficiente para nadar em 21s2. Nos 100m, o treinador não descarta chances de Cielo emplacar outro pódio olímpico. Em Pequim, ele obteve o bronze. "Não deixamos de trabalhar os 100m do Cesar. Ele vai para conquistar medalha", disse.

Nessa prova, o favorito é James Magnussen, da Austrália, que tem 47s10. Com maiô têxtil, fez marca apenas 19 centésimos pior do que o recorde de Cielo, registrado na época em que os trajes especiais eram permitidos. O brasileiro ocupa apenas o sétimo lugar no ranking deste ano, com 48s28, mas é o tipo de competidor que apresena melhora de performance em eventos importantes. A grande atração da natação brasileira só competirá na próxima terça-feira.

Feminino. Daynara de Paula foi à final dos 100m borboleta no Mundial de Roma, em 2009, mas não obteve avanços importantes desde então. Ela também nada amanhã pela manhã.

Joanna Maranhão, que foi a duas finais em Atenas, é outra nadadora que não evoluiu o suficiente para brigar por medalhas. Na Grécia, ficou em quinto nos 400m medley. Hoje, se destaca mais pelas críticas à gestão do presidente Coaracy Nunes do que pelos resultados.

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