Esporte vai movimentar mais de R$ 100 bi no País

Mundial de futebol e Olimpíada fazem do Brasil nova meca para a indústria esportiva e empresas do setor

ZURIQUE, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2011 | 03h05

O Brasil se transforma no Eldorado para a indústria esportiva mundial e na principal aposta de multinacionais para lucrar nos próximos anos. Consultores, governos estrangeiros e cartolas consultados pelo Estado confirmam que a previsão é de que a preparação para a Copa de 2014, Olimpíada de 2016 e a expansão do mercado brasileiro movimente mais de R$ 100 bilhões no País nos próximos cinco anos.

Em apenas cinco anos, a indústria do esporte no Brasil dobrou de tamanho. Em 2005, movimentava US$ 15 bilhões (R$ 26,6 bilhões). No ano passado, já chegava a US$ 28 bilhões (R$ 48,6 bilhões). Nos últimos dez anos, a taxa de expansão do setor foi duas vezes superior ao PIB.

Segundo consultorias como a Ipsos e a Institutional Business, a realidade é que o potencial de crescimento é ainda enorme. Um termômetro disso tudo é o gasto do consumidor brasileiro com o esporte.

Em 2010, um brasileiro destinava 1,7% de sua renda ao setor, cerca de US$ 42 (R$ 72,9) por ano, seja em ingressos para ver seu time, camisas de futebol, assinatura de revistas especializadas ou canais a cabo. Nos Estados Unidos, os gastos médios chegam a US$ 551 (R$ 957,4) por ano, quase 2% de sua renda.

A projeção dos analistas, portanto, é que com uma economia em expansão e uma renda cada vez mais consolidada na classe média, o mercado brasileiro seja a real promessa de lucros para multinacionais do setor do esporte, empresas de construção de estádios e até meios de comunicação estrangeiros dedicados.

Um levantamento feito pelo governo australiano indicou que entre obras de infraestrutura, estádios, marketing e maiores gastos de torcedores, o Brasil movimentará contratos e lucros de mais de US$ 60 bilhões (R$ 104,2 bilhões). Os australianos montaram uma missão empresarial dedicada a visitar justamente as cidades-sede de jogos da Copa.

O governo do Reino Unido já mobilizou suas empresas para disputar contratos. Documento vazado pelo grupo Wikileaks ainda mostrou que o governo americano pretende lucrar até com a indústria da segurança para esses eventos no Brasil.

Com a economia dos países ricos em recessão, a aposta de muitas dessas empresas é de que os lucros venham dos emergentes e, em especial, do Brasil.

No Comitê Olímpico Internacional (COI), todos os temores de que haveria uma fatiga dos patrocinadores no Brasil por conta de dois megaeventos ao mesmo tempo formam parte apenas do passado. "Há a possibilidade de que os contratos comerciais dos Jogos de 2016 no Rio superem a marca de Londres em 2012" , afirmou ao Estado o diretor dos jogos no COI, Gilbert Felli.

A aposta é também dos vendedores de artigos esportivos. Dados da Câmara de Comércio dos Estados Unidos apontam que o setor movimenta US$ 4 bilhões (R$ 6,9 bilhões) ao ano no Brasil, com 85 milhões de pares de sapatos vendidos e 6 milhões de bolas. Mas poderia pelo menos triplicar em cinco anos.

Esses lucros também atraem as maiores empresas de marketing esportivo do mundo. IMG, Octagon, GMR Marketing, Momentum, Wasserman Media Group, SportsMark e a Helios Partners são apenas algumas das agências americanas que nos últimos meses fecharam acordos com empresas nacionais.

Até mesmo consultores da Vero, contratados pelo COB nos últimos anos para liderar a campanha do Rio de 2016, agora montam seu escritório no País para lucrar com o próprio evento que promoveram.

"A presença do Brasil no palco internacional é mais forte do que nunca e estamos ávidos em fazer parte disso, antes da Copa e Jogos Olímpicos", escreveu Mike Lee, ex-diretor de comunicação da campanha do Rio e diretor da Vero. / J.C.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.