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Aaron Gash/ AP
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Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2017 | 17h13

Quase todas as modalidades esportivas convivem hoje com uma geração de superatletas. São competidores cada vez mais altos, fortes, rápidos e ágeis. O conceito de que grande massa muscular e estatura acima da média são sinônimo de lentidão e inabilidade faz parte do passado.

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Talvez o maior exemplo desta evolução física seja o grego Giannis Antetokounmpo, que joga na NBA (principal liga de basquete dos Estados Unidos). Trata-se de um armador do Milwaukee Bucks que mede 2,11 metros e pesa 100 quilos. Apesar da envergadura de 2,26 metros, Giannis apresenta velocidade e habilidade impressionantes em quadra, o que o torna uma das principais atrações do melhor basquete do mundo. 

Treinamentos específicos para cada trabalho muscular ou físico, aliados a ingestão de suplementos alimentares, garantem um desempenho excepcional para esses novos atletas. “Só é bom lembrar que o talento esportivo ainda é essencial. Ninguém ensinou Muhammad Ali a lutar boxe ou Pelé a jogar futebol”, diz Laércio Bertanha, há três décadas professor de Educação Física no Brasil.

Muhammad Ali e Pelé possuem seus sucessores na atualidade. Cristiano Ronaldo foi eleito recentemente o melhor jogador de futebol do mundo pela quinta vez. Aos 32 anos, o atacante português é um “rato de academia”, mas está atualizado com o que tem de mais moderno no estudo da fisiologia. Cristiano Ronaldo se submete a um tratamento de DNA que faz com que ele perca um quilo de peso corporal por temporada até os 35 anos. Com isso, o astro do Real Madrid, de 1,85 metro e 84 quilos, pretende manter a massa física, a velocidade e a resistência para continuar em alto nível até o fim da carreira.

PREVENÇÃO DE LESÕES

O britânico Anthony Joshua é o campeão dos pesos pesados no boxe, com 20 nocautes em 20 vitórias. Sua equipe de treinamento reúne 20 pessoas. Terapeutas, fisioterapeutas, médicos e osteopatas tratam de seu corpo e tentam evitar lesões. “Anthony treina seis vezes por semana, três vezes ao dia. São quatro horas de boxe e quatro horas de exercícios específicos para os músculos, a fim de dar maior força, flexibilidade e prevenir lesões”, informa o técnico Robert McCraken. Joshua pesa 115 quilos e tem 1,98 metro de altura. 

Na Olimpíada de Londres, em 2012, o britânico ganhou a medalha de ouro com 95 quilos, o mesmo que Ali tinha no auge de sua carreira nos anos 60.

Outro que contrariou a opinião geral dos estudiosos foi o jamaicano Usain Bolt, que, apesar de medir 1,95 metro, superava a largada ruim nos 100 metros rasos com uma espantosa aceleração na parte final da prova. Isso o fez ganhar o tricampeonato olímpico. Antes de Bolt, os atletas, em sua modalidade, tinham no máximo dez centímetros a menos de altura.

No vôlei é comum os times formarem sextetos com todos os jogadores muito perto ou acima dos dois metros de altura. Mesmo assim, os atletas apresentam agilidade incrível para saltar e “dar peixinhos” durante as duas horas de duração, em média, das partidas. “A evolução não ocorre apenas na parte técnica das modalidades. A fisiologia no esporte teve avanço enorme nos últimos anos e ajudou para que os atletas pudessem realizar funções que antigamente não eram possíveis”, atesta Bertanha.

Para ser considerado um superatleta não é preciso ser também um garoto. Aos 36 anos, o suíço Roger Federer se mantém entre os maiores nomes do tênis, e graças a um trabalho de treinamento que é feito antes e depois dos dias de jogos. Tudo para manter o corpo preparado e equilibrado, mesmo com a idade avançada.

SÓ DEUS

“Antigamente, era mais importante ter talento para se tornar um craque no futebol. Hoje, além do talento, é preciso ser um atleta”, diz Turíbio Leite de Barros, doutor em Fisiologia do Esporte, que trabalhou 25 anos no São Paulo e que está há um ano e meio morando em Boca Raton, na Flórida, EUA, onde trabalha como consultor de um empresa fabricante de suplementos alimentares. 

O futuro vai dizer se os superatletas vão dominar o esporte ou se vão continuar apenas a ser exceções em modalidades. “Só Deus pode responder isso”, brincou o professor Bertanha.

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Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2017 | 17h15

Com 2,04 metros de altura e 130 quilos, o francês Teddy Riner domina a categoria dos pesos pesados. Ele mudou o estilo de luta dos judocas. E isso não é exagero. Apesar do corpanzil e do peso elevado, “Big Ted” tem cerca de 8% de gordura corporal, o que o deixa extremamente rápido e tão forte quanto os “gorduchos” que enfrenta no tatames – muitos deles até mais pesados do que “Teddy Bear” (Urso Teddy), mas sem a mesma “leveza” do rival francês.

“Todos se impressionam com minhas vitórias, mas ninguém se preocupa em saber o quanto eu treino para atingir este nível técnico e físico. Todos os dias, quando levanto da cama, sinto dores horríveis nos pés e tenho vontade de largar tudo”, comentou o judoca grandalhão, que recebe de um patrocinador R$ 490 mil por mês.

Invicto desde 2010 e com 138 vitórias consecutivas, Teddy Riner tem uma explosão muscular impressionante, o que torna seus golpes muito mais rápidos, violentos e impossíveis de serem evitados. O físico enxuto lhe permite aplicar todos os golpes do judô. Harai-goshi, uchi-mata, ouchi-gari, ashibarai e osoto-gari são técnicas preferidas para liquidar com os adversários em pouco tempo de luta. 

PESADELO

Nove vezes campeão mundial, cinco vezes europeu e bicampeão olímpico, Riner assombra os japoneses, criadores da modalidade, para a Olimpíada de Tóquio, em 2020.

A comissão técnica do Japão não confirma, mas existem rumores de que um atleta está sendo preparado para poder derrotar o francês em Tóquio. Nada, porém, parece abalar a confiança do judoca da França. “Quero a terceira medalha seguida e fazer como Usain Bolt e Teófilo Stevenson”, disse o lutador, referindo-se ao velocista jamaicano e ao boxeador cubano.

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'Eles são cada vez mais comuns', diz doutor em fisiologia do esporte

Turíbio Leite de Barros, doutor em fisiologia do esporte, fala sobre os superatletas

Entrevista com

Turíbio Leite de Barros

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2017 | 17h21

Turíbio Leite de Barros, doutor em fisiologia do esporte, analisa os superatletas e afirma que, além dos treinos, eles precisam ter talento.

Como o senhor analisa os superatletas nos esportes?

Eles são cada vez mais comum, mas ainda exceções. O primeiro superatleta foi o Shaquile O’Neal, que era muito forte, grande e ágil.

O atleta grandalhão é necessariamente lento?

Este é um estigma. Um atleta muito grande, forte, teria de ser necessariamente lento. Mas o conceito atual mudou.

Como se forma superatleta?

É preciso uma série de fatores. Tem o lado físico, orgânico e genético. O atleta precisa ter talento. O suplemento alimentar é indispensável no desenvolvimento. E precisa ser integrado com o treino.

Quais são os suplementos mais utilizados hoje?

As proteínas são cada vez mais cultuadas. Elas servem para fortalecer os músculos. Para ganho de massa e hipertrofia usa-se a creatina. Já os aminoácidos servem para acelerar a recuperação de lesões para que o atleta consiga jogar muito e se machucar pouco.

O senhor acredita que todas as modalidades serão dominadas pelos ‘gigantes’?

Não. No basquete e no vôlei os atletas precisam ser altos porque a cesta está lá em cima e a rede também. Mas algumas modalidades nem estão preparadas para caras grandes. É o caso da ginástica, que utiliza aparelhos, como o cavalo, que não possui estrutura para atletas grandalhões.

Até onde se pode chegar?

O futuro é a manipulação genética, mas se conhece pouco sobre isso ainda. Aterroriza um pouco, pois não sabemos até onde vai chegar essa pesquisa. Pode haver uma distorção da cultura do esporte.

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