João Pires/ Fotojump
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Esportes coletivos preparam retorno em SP com protocolos contra covid; atletas não ficarão isolados

Medidas criadas por federações foram aprovadas pela Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo, mas há clubes sem condições financeiras para bancar testes, por exemplo

Andreza Galdeano e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2020 | 05h00

Pensando em garantir segurança no retorno às atividades praticadas em quadra durante a pandemia do novo coronavírus, as federações de basquete, vôlei, handebol e futsal elaboraram protocolos específicos para a retomada das competições. O manual foi aprovado pela Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo e o Comitê de Contingência da covid-19 para cidades que estejam ao menos na fase amarela do Plano SP. A expectativa é de conseguir montar um calendário para essas modalidades a partir de setembro.

No retorno, o protocolo estabelece algumas regras para os clubes. Uma delas é a obrigatoriedade de arcar com os custos dos testes de covid-19 para todos os seus profissionais, sejam atletas ou comissão técnica. Esse pode ser um problema para algumas equipes que não apresentam condições financeiras favoráveis neste momento. A maioria delas está recorrendo aos parceiros para garantir os exames.

Esse é o caso do Mogi das Cruzes. O time de basquete está esperando a aprovação de uma proposta enviada ao Grupo NotreDame Intermédica, um dos patrocinadores da equipe. "No momento, não estamos fazendo treinos coletivos. Os nossos atletas estão apenas realizando trabalhos individualizados. Sobre a testagem da equipe, estamos esperando o retorno do nosso patrocinador. Sem a validação desse parceiro não podemos voltar, já que devemos seguir o protocolo", explica Antonio Penedo ao Estadão.

A reportagem também entrou em contato com o Osasco-Audax/São Cristóvão Saúde. O time contou com o apoio do próprio Grupo São Cristóvão Saúde para realizar os testes. "Além disso, eles estão responsáveis por ministrar palestras de orientação para os departamentos técnico, de preparação física, fisioterapia e medicina esportiva", conta Beto Ópice, gerente de marketing do clube.

"Além do controle de temperatura, uso de máscara, tapete para desinfecção dos calçados e muito álcool em gel, cada atleta passou a responder um questionário diário sobre seu estado de saúde. São informações que nos ajudam a mapear o estado de cada jogadora. Também pedimos que elas trouxessem dois pares de tênis, um para quadra e outro para a academia", explica Ópice.

De acordo com o protocolo, atletas, comissão técnica e colaboradores devem realizar testes antes do reinício das atividades. "Em caso de teste RT-PCR ou sorológico negativo, o indivíduo deve estar no mínimo a 72 horas sem quaisquer sintomas ou sinais de doença", informa o documento. Já no caso de teste positivo, a regra é cumprir 14 dias de isolamento domiciliar.

Os exames deverão ser repetidos periodicamente e os clubes serão responsáveis por observar a saúde dos atletas. Eles devem avaliar qualquer suspeita ou sintomas, realizar a medição de temperatura diariamente e separar o material de cada jogador.

TREINOS

Além dos procedimentos padrões, como os testes e desinfecção dos ambientes, o retorno às atividades devem ser mais restritos no início. O protocolo apresenta sugestões desde a saída de casa dos jogadores até a chegada ao clube. O atleta deve dar preferência para o transporte individual, não ter contato com outras pessoas, usar máscara e levar um frasco de álcool em gel para usar no caminho.

Ao chegar no clube, todo o seu material deve ser higienizado. O atleta deve evitar ir ao vestiário e fica expressamente proibido a troca ou compartilhamento de materiais. Ao término das atividades, todos devem higienizar as mãos e deixar o local de treino sem trocar o uniforme.

O documento ainda exibe uma série de critérios relacionados à nutrição e fisioterapia, como não consumir alimentos durante o deslocamento para o treino, suspensão de self-services e atendimentos individualizados para trabalhos preventivos. Também são desaconselhados os tratamentos em banheiras e massagem.

Seguindo o protocolo, o Osasco-Audax explica que está dividindo a quadra e pensando em novas possibilidades para a proteção das atletas. "Usamos duas redes e antes e ao final de cada treino, todo o ambiente é limpo e desinfectado pelo nosso parceiro EcoOsasco. Tudo tem transcorrido bem, mas ainda estudamos novas formas de proteção, como o uso de uma máquina que emite raios UV, aquela luz azul, que mata vírus e bactérias, inclusive o novo coronavírus. Também estamos em contato com a FPV e CBV para, juntos, seguirmos as melhores práticas para o retorno dos campeonatos paulista e Superliga", conta Ópice.

CAMPEONATOS

De acordo com o protocolo, os jogos estão liberados desde que também sigam regras. As partidas devem ser realizadas com portões fechados, sem a presença de público. Os jogadores do banco de reservas serão separados com espaço de 1 metro e o uso da máscara fora das quadras é indispensável.

O clube também deve diminuir o número de pessoas, devendo levar apenas quem é essencial para o jogo. É proibido o contato físico entre jogadores e staff. As bola deve ser higienizada constantemente e, se possível, manter o afastamento entre técnico e atletas.

RELAÇÃO COM FAMILIARES

A relação com os familiares também entra em pauta durante a pandemia, já que os atletas não serão isolados. O documento afirma que é preciso iniciar desde já a educação de todos os envolvidos no retorno, incluindo orientações aos familiares. Também é preciso manter a rotina de higiene fora do clube.

 

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