Martin Steinthaler/Tinefoto Co
Sem grande apoio da TV, transmissão online ganha espaço Martin Steinthaler/Tinefoto Co

Esportes na internet: transmissão online cresce no País

Com a redução do espaço na TV, Facebook e YouTube se tornam alternativa para diversas modalidades

Demetrio Vecchioli, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2017 | 07h00

A transmissão do clássico entre Atlético-PR e Coritiba pelo YouTube e pelo Facebook no dia 1.º de março foi só a chegada, ao futebol brasileiro, de um novo momento que já atinge vários esportes no País. Os jogos exibidos em streaming chegaram no mês passado à Superliga de Vôlei e crescem de forma exponencial no Novo Basquete Brasil (NBB) e na Liga de Basquete Feminino (LBF). As confederações de atletismo e natação também apostam no aumento das transmissões online numa época em que o espaço para as modalidades olímpicas na TV está em queda.

O vôlei teve a transição mais radical. Em 8 de fevereiro, quando nenhum jogo foi transmitido pela tevê, o Sesi planejava exibir online o seu jogo com o Montes Claros. Foi impedido e o campeão olímpico Murilo reagiu no Twitter à proibição: “Os próprios patrocinadores deveriam questionar essa proibição da CBV, porque estão perdendo exposição de suas marcas”.

O caso ganhou repercussão e a CBV agiu rápido: 15 dias depois, transmitia pela primeira vez uma partida no Facebook. O duelo entre Vôlei Nestlé e Praia Clube foi assistido por 103 mil pessoas, com pico de audiência de 5.452 espectadores. Desde então, em duas semanas, foram cinco partidas exibidas.

De acordo com Ricardo Trade, CEO da CBV, os direitos de transmissão online da Superliga eram da Globo até a temporada passada. Na última renovação de contrato, a entidade fez questão de ficar com eles, com base em um plano de negócios para os próximos quatro anos.

“Esse é um instrumento para aumentar a visibilidade e dar equilíbrio. A TV escolhe os jogos pelo seu conteúdo, por quem está em quadra, e alguns clubes ficam com poucas transmissões. Com a transmissão na internet a gente consegue equilibrar essa visibilidade’’, argumenta Trade. Segundo ele, a CBV estuda monetizar as transmissões vendendo os naming rights da propriedade.

Mas os clubes já se organizam para negociar com a CBV para, na próxima temporada, serem os detentores dos direitos. O Sesi diz ter capacidade de transmitir todos seus jogos em casa. O Minas Tênis Clube é outro que já tem câmeras instaladas.

“Tudo é questão de negociar sempre no começo da Liga. Os clubes estão se mobilizando para ter um pouco mais de autonomia, sempre com supervisão da CBV. As transmissões têm de ter um padrão, manter uma qualidade’’, avalia Alexandre Pflug, diretor de esporte do Sesi-SP.

Atualmente, as transmissões ocorrem só pelo Facebook da CBV e não podem ser reproduzidas nos sites dos clubes. Mesmo assim, o duelo entre o líder Rexona e o Minas teve 39 mil interações e gerou 2,1 mil novos fãs à página da CBV.

No NBB, as primeiras transmissões aconteceram em 2014. Na atual temporada, um jogo por rodada vai para o Facebook. De acordo com João Fernando Rossi, presidente da Liga Nacional de Basquete (LNB), o intuito é aumentar o engajamento com os fãs nas mídias sociais. Os jogos são exibidos com uma equipe de 10 pessoas, com narrador, comentarista e repórter.

O intuito é que, somando com os jogos exibidos no SporTV e na TV aberta (pela Band), todos os duelos de mata-mata sejam transmitidos.

A Liga de Basquete Feminino (LBF) não terá a temporada regular exibida na tevê e o streaming virou a única solução para os clubes, que detêm os direitos e o cederam, gratuitamente, a veículos regionais. Com orçamento modesto, a LBF planeja só “mais para frente’’ assumir as transmissões em streaming, algo que já faz a Polo Aquático Brasil (PAB), criada no ano passado. Como os torneios são realizados em um só fim de semana, numa mesma piscina, a logística é mais simples. Os clubes rateiam os custos.

Outras modalidades com espaço reduzido na tevê também veem o streaming como saída. A CBDA já transmitiu todos os campeonatos brasileiros de natação do ano passado na TV CBDA – só o Maria Lenk foi do SporTV, exclusivo –, sempre com seis câmeras, narração e até distribuição de brindes aos espectadores. Para 2017, a ideia é exibir os torneios de todas as modalidades.

No atletismo, todos os eventos da CBAt foram transmitidos no Facebook em 2016, inclusive clínicas. A entidade trabalha com até seis câmeras de celular, que geram seis ‘lives’ diferentes de um mesmo evento. E a Atletismo Brasil TV deve chegar ao Youtube em 2017.

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Facebook e Twitter estão de olho no mercado de transmissões ao vivo

Principais redes sociais têm parcerias com ligas e clubes de diversas modalidades

Renan Fernandes, O Estado de

14 de março de 2017 | 07h00

Duas das principais redes sociais do mundo, o Twitter e o Facebook estão acompanhando de perto o mercado de transmissões de esporte ao vivo na internet e trabalham em parcerias com ligas e clubes de diversas modalidades para disponibilizarem cada vez mais conteúdo neste formato para seus usuários.

"Entendemos que o ambiente ainda tem muito potencial e oportunidades para ser explorado, sobretudo nos eventos esportivos, que compuseram 52% das transmissões ao vivo da nossa plataforma no mundo no quarto trimestre de 2016. Percebemos que o público das transmissões no Twitter é composto por 75% de pessoas com menos de 34 anos, que consomem conteúdo em dispositivos móveis", conta Luan Knaya, diretor de esportes do Twitter Brasil, ao Estado.

A empresa deu os primeiros passos neste formato transmissão com o tênis, no tradicional torneio de Wimbledon, em 2016. Depois disso, fechou um contrato pelos direitos digitais dos jogos de quinta-feira da NFL (liga de futebol americano) e vem trabalhando em outros projetos. "Muitos dos nossos acordos globais com ligas e equipes se estendem também ao Brasil, como é o caso da NFL, PGA (golfe) e NBA (basquete)", explica Knaya. "As ligas e equipes locais são parceiras do Twitter e podem usar a transmissão de jogos na plataforma se esse for um objetivo comum entre as partes."

A entrada destas grandes empresas no mercado pode, indiretamente, ajudar também no combate à pirataria de sites que fazem reprodução ilegal de streaming. "Acreditamos que quando o usuário tem a oportunidade de consumir um conteúdo de qualidade literalmente na palma da mão, ele vai escolher os meios legais. E dentro da área de parcerias, o nosso foco é em cada vez mais oferecer conteúdos de muito interesse (premium) e muita qualidade para público adequado", reforça Luan Knaya.

Indo na direção de parcerias, a Liga Mundial de Surfe (WSL, em inglês) confirmou na última semana um acordo com o Facebook para a transmissão de todas as etapas da elite da categoria, masculino e feminino, e os eventos de ondas gigantes, o Big Wave Tour (BWT). Ao todo, serão mais de 800 horas de conteúdo ao vivo em 2017.

O surfe ajuda a entender a dificuldade que alguns esportes encontram para entrarem na grade da televisão tradicional.

“Os eventos da Liga Mundial de Surfe, por exemplo, começam sempre que as ondas acontecem e, dessa maneira, os horários de transmissão podem ser imprevisíveis. No Facebook, a WSL vai possibilitar que as pessoas possam acompanhar cada um desses momentos conforme eles acontecem, em tempo real, não importa onde estejam”, explica o líder de parceria de esporte do Facebook para a América Latina Felipe Kozlowski.

Além das modalidades, os grandes canais de televisão, ou ‘produtores de conteúdo’, como classifica a empresa, também são beneficiados com a divulgação através das redes sociais. “Experiências iniciais com esses eventos no Facebook têm trazido grandes resultados para os fãs, radiodifusores e detentores de direitos. Pessoas de todo o mundo estão se conectando a jogos, que vão desde o futebol ao tênis de mesa, enquanto emissoras e detentores de direitos estão alcançando novas audiências e experimentando com produções interativas, sociais e mobile-first”.

Durante os Jogos Olímpicos, o Facebook fez acordos com ESPN Brasil, Fox Sports Brasil, TYC Argentina, Claro Sports, ESPN LATAM, TVN Chile para exibição dos bastidores da competição, fazendo de seus perfis na internet complemento à programação.

“Com mais de 650 milhões de fãs de esportes, o Facebook é o maior estádio do mundo. Para se ter uma ideia da conversa esportiva na plataforma, eventos como os Jogos Olímpicos e o Super Bowl estão entre os 10 assuntos mais falados globalmente no Facebook em 2016. Os Jogos Olímpicos do Rio, por exemplo, foram os mais sociais da história, com 277 milhões de pessoas gerando 1,5 bilhão de interações no Facebook”, completa Kozlowski.

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