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Esquema de manipulação de resultados pode ter atingido o Brasil

Polícia de Cingapura prendeu 14 pessoas suspeitas de controle de jogos em todo o mundo

JAMIL CHADE, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2013 | 19h23

GENEBRA - Numa ação que começou na Europa e acabou se espalhando em investigações em todo o mundo, as autoridades de Cingapura anunciaram na última quarta-feira a prisão de 14 pessoas envolvidas com a manipulação de resultados de jogos em diversos campeonatos europeus e com até mesmo suspeitas de envolvimento no Brasil. O grupo controlava um sistema de apostas e compras de resultados, pagando jogadores, árbitros, cartolas e treinadores.

O caso teve início na Europa em janeiro. A Europol anunciou que tinha suspeitas de que 380 jogos pelo Velho Continente tiveram seus resultados manipulados para atender a apostadores, principalmente na Ásia. As partidas ocorreram entre 2008 e 2011 e envolviam até mesmo a Liga dos Campeões da Europa e Eliminatórias para a Copa de 2010.

Mas os indícios apontaram que, pelo mundo, o número de jogos manipulados poderia chegar a 680. O Estado apurou que autoridades policiais da Europa receberam indicações de que a máfia que controlava as propinas teria ido inclusive ao Brasil e que jogos, principalmente em campeonatos regionais, estariam entre os suspeitos.

Se as partidas manipuladas estavam espalhados pelo mundo, a inteligência européia apontava o dedo para o fato de que o controle dessa máfia estava baseada em Cingapura, onde as casas de apostas estavam registradas. Muitas delas existem apenas na Internet.

O cartel se responsabilizava por acertar com jogadores o resultado de uma partida e, ao mesmo tempo, fazia apostas justamente de que aquele placar seria obtido. Segundo as investigações, os lucros eram milionários.

Dos 14 detidos, duas eram mulheres. O líder da máfia, Dan Tan, estaria entre os presos. Conhecido como o "capo", Dan Tan declarou aos jornais de Cingapura em 2011 que era inocente de todas as acusaçoes que faziam sobre ele. Mas a Interpol o aponta como o responsável pela manipulação de centenas de resultados de eventos esportivos pelo mundo.

Ontem, tanto a Interpol quanto a Europol comemoravam a ação de Cingapura, que havia sofrido duras pressões para que tomasse uma atitude. Apesar de casos conhecidos na Europa desde 2008, os asiáticos se recusavam a agir. Por nao ter acordos de extradição com países europeus, as autoridades de Cingapura alegavam que apenas poderiam fazer prisões sobre crimes cometidos no país asiático.

"As autoridades de Cingapura tomaram um passo importante em atacar o cartel internacional de manipulação de resultados ao prender os principais suspeitos no caso, inclusive seu líder", declarou Ronald Noble, o secretário-executivo da Interpol.

Por meses a Fifa vem apontando para a ameaça que a manipulação de resultados representa para o futebol e sua credibilidade. A entidade estima que cerca de 50 campeonatos diferentes estão na mira dessas organizações criminosas, e diante de um número cada vez maior de casos, a entidade começou a adotar penas severas. Alguns dos afetados foram jogadores da Tunísia e Estónia, além de expulsões de árbitros da Armênia.

Mas, segundo especialistas, a açao tem pouco resultado e o que ainda falta é uma determinação mais clara das Justiças em prender e processas jogadores e outros envolvidos nos crimes. Em abril, três árbitros libaneses foram impedidos de apitar um jogo da Copa da Ásia, em Cingapura, depois que se descobriu que ele estariam envolvidos num esquema de manipulaçao de resultados.

Horas antes do ponte pé inicial, o árbitro Ali Sabbagh foi detido e hoje cumpre uma pena de seis meses por ter aceito "favores sexuais" em troca de influenciar no resultado do jogo entre Tampines Rovers, de Cingapura, e o time indiano de East Bengal.

 

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