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Esquema reprovado

Um empate contra a Itália, em solo europeu, normalmente é motivo para comemoração, apesar do retrospecto favorável do Brasil nos últimos anos. Mas o amistoso de ontem deve ter provocado dor de cabeça em Felipão e aumentado sua preocupação com o futuro do time. Em poucas ocasiões, na história recente, a seleção brasileira foi tão atacada e proporcionou tantas oportunidades a um adversário. Sinal de que o esquema testado pelo treinador não deu certo.

Eduardo Maluf, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2013 | 02h08

A Itália marcou duas vezes e poderia tranquilamente ter feito mais três ou quatro gols. Em algumas ocasiões, falhou na pontaria. Mas na maioria acabou parando na ótima atuação de Julio Cesar, o melhor da partida. O Brasil, por outro lado, exigiu pouco trabalho do veterano e competente Buffon - embora anotar dois gols contra os italianos, tradicionalmente fortes na defesa, nunca seja desprezível.

O resultado do primeiro tempo (2 a 0), bastante festejado pelos brasileiros, mascarou o que de fato ocorreu no clássico em Genebra. O time europeu procurou bem mais o ataque e pecou na hora do arremate. O sul-americano, ao contrário, optou por ficar atrás, mas foi feliz em duas das três chances que teve para superar o goleiro rival. O panorama não se alterou na segunda etapa. O que mudou foi o aproveitamento dos italianos nas finalizações.

A formação com dois jogadores teoricamente de marcação no meio-campo - Fernando e Hernanes - não resultou num sistema defensivo consistente. Hernanes nunca foi um volante especialista em destruir jogadas, como por exemplo o corintiano Ralf. A característica que o levou a se destacar no São Paulo - até se transferir para a Europa - é justamente a eficiência na chegada ao ataque.

Além de ter sido vulnerável atrás, permitindo o avanço do adversário, o Brasil assustou pouco os italianos por causa da ineficiência no setor de criação. Oscar fez seu gol, é verdade. Falta-lhe, porém, muita coisa para poder vestir a camisa 10 do Brasil num Mundial. O ex-colorado precisa participar mais dos jogos. É, afinal, o atleta responsável por comandar o meio-campo e municiar os atacantes. No Chelsea alterna bons e maus momentos e ainda não se firmou como grande nome internacional.

Kaká entrou num momento desfavorável, já com o placar em 2 a 2, e pouco fez. Esperar dele que resolva o problema da armação também é pensar longe demais. Ele ainda está tentando recuperar espaço no Real Madrid e não conseguiu, nos últimos meses, manter boa sequência de jogos.

É preciso ressaltar, contudo, que o Brasil enfrentou uma seleção pronta, formada, vice-campeã europeia em 2012. Muito melhor sofrer contra a Itália do que passear contra Iraque, Bósnia, Bolívia... E, além de Julio Cesar, vale destacar Neymar. Ainda queremos mais do craque santista, mas não resta dúvida de que ele foi bem mais efetivo do que nas últimas partidas, buscando a bola e chamando a responsabilidade no setor ofensivo.

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