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Esquentando tamborins

A tabela do Campeonato Paulista indica Corinthians x Botafogo, no final da tarde de amanhã, no Itaquerão. Prevê também Bragantino x São Paulo, no início da noite, em Bragança Paulista. Os jogos valem pela 5ª e antecipada rodada da etapa de classificação, antes da folga geral para o Carnaval.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2015 | 02h02

Duvido que a cabeça de jogadores, técnicos, cartolas e torcedores de ambos se volte para os compromissos pelo Estadual. Está todo mundo de olho no duelo da quarta-feira de Cinzas, na primeira rodada da fase de grupos da Libertadores.

Por isso, agora folga é palavra descabida, ao menos para alvinegros e tricolores. Os dias de folia significam momentos de preparação e de expectativa para cada lado. Vão esquentar os tamborins nos treinos. Depois da pausa para a festa nacional, e enquanto o pessoal sacode serpentinas, cura ressaca, ou (mais raro) põe o pensamento no significado da Quaresma, os dois times dão o pontapé de fato em 2015.

Não há como ser diferente. Até o momento, tudo não passou de ensaio. A competição doméstica serviu de laboratório para o objetivo amplo, o da conquista da América, gosto que já tiveram anteriormente. O Corinthians entrou antes no clima, e por obrigação, pois teve de topar com desafio preliminar - e aprovado com louvor, nos 4 a 0 e no 1 a 1 com o Once Caldas.

A turma de Tite afiou-se bem, não correu o menor risco de fiasco diante do colombiano campeão sul-americano de 2003. Com autoridade, encaminhou a classificação com a surra em casa. O compromisso de anteontem em Manizales significou cumprimento de tabela. Virou treino, sobretudo depois de Elias ter feito 1 a 0. Dali em diante, o Corinthians evitou desgaste desnecessário, tirou o pé e guardou forças para o que realmente conta.

E vale o clássico da semana que vem. Tite foi mais claro, ao admitir, antes da viagem de retorno, que poupará titulares diante do Botafogo. Muricy tergiversou, mas a tendência é a de seguir caminho semelhante. Questão de bom senso. Vá lá que tropecem neste sábado. Que diferença fará? Nenhuma - não sei se felizmente ou infelizmente, pois os campeonatos regionais perdem força. Nem abalo psicológico, porque há tempo suficiente para reação. Não vão para as quartas de final só se tiveram incompetência colossal.

O negócio é Libertadores, numa chave complicada, da qual fazem parte também o San Lorenzo (atual campeão) e o Danubio, o patinho feio que pode se transformar no fiel da balança. Os dois brasileiros terão vantagem adicional de menos viagens, e mais curtas. As ligações aéreas com a Argentina e com o Uruguai são bem práticas, ao contrário de deslocamentos para Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, México e algumas cidades da Bolívia.

São Paulo e Corinthians se equivalem e começaram bem a temporada, mesmo com as inevitáveis mudanças de praxe. A versão tricolor atual tem uma queda para o ataque - e isso sempre é bom. A contrapartida está no risco de expor o sistema defensivo, como ocorreu na quarta-feira, na Vila Belmiro. O 0 a 0 só foi mantido porque Rogério Ceni teve atuação antológica. Muricy alegou que esse foi o preço por jogar de maneira atrevida. Que continue com tal propósito e que equilibre a marcação.

O Corinthians de Tite reciclado também toma gosto pelos gols. Bela notícia, e tomara venha para ficar e espantar a monotonia. Nos jogos no Paulista e contra o Once Caldas, laterais desceram com frequência, além de intensa movimentação e troca de posições no meio-campo e no ataque. Elias, Emerson, fora o talismã Danilo, têm aparecido com destaque. O bom futebol agradece.

O desejo amplo se concentra na paz. Não sou ingênuo de achar que velhas rixas sumirão em passe de mágica. Mas torço para que o enfoque realce o acontecimento inédito do tira-teima entre campeões mundiais e não a vontade de vendettas entre arruaceiros. Existe movimento em direção a mudança de comportamento nos estádios. Vamos apoiá-lo.

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