Esse time fazia o Corinthians tremer... ...esses gols fizeram o Pacaembu tremer

De 1957 a 1968 o Santos impôs ao time de Parque São Jorge o tabu mais badalado da história da competição

Wilson Baldini Jr., O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2009 | 00h00

Em um mundo cada vez mais globalizado, no qual as informações não param de surgir a cada segundo, é muito fácil criar mitos, lendas, principalmente, no esporte. Um time não vence outro no campo do adversário há cinco anos. Detalhe: as duas equipes se enfrentaram apenas uma vez nesse período. Se existe um tabu no futebol que merece destaque foram os 11 anos em que o Corinthians não conseguiu vencer o Santos no Campeonato Paulista. Foram 22 jogos de 3 de novembro de 1957, quando ainda João Gilberto não havia criado a bossa nova, até 6 de março de 1968, tempos do Tropicalismo de Caetano Veloso e Gilberto Gil. O Santos venceu 16 confrontos, com direito a placares históricos como 6 a 1 (duas vezes), 5 a 1, 5 a 2 e 7 a 4. Dos 67 gols santistas nesse período, 28 foram de Pelé, que em duas ocasiões deixou sua marca quatro vezes no mesmo jogo.Com o acúmulo dos jogos, parecia que o tabu jamais iria acabar. "O Carlos Alberto Torres chegava a dizer que em semana de jogo com o Corinthians a feira estava garantida", lembra Rivellino, o maior craque da história corintiana. "O Corinthians fazia grandes jogos, mas o Pelé era de outro planeta", diverte-se o ex-ponta-esquerda Edu, um dos mais habilidosos de todos os tempos.Em 1964, o Golpe Militar derrubou o presidente João Goulart e os 32.986 torcedores foram demais para a arquibancada da Vila Belmiro, que, ao seis minutos, veio abaixo e centenas ficaram feridos. O tabu seguiu, pois o jogo foi transferido para o Pacaembu e o placar de 1 a 1 manteve a escrita.Mais dois anos e os corintianos tiveram dois momentos de tristeza. Em agosto, os Beatles se apresentaram pela última vez, mas foi em dezembro que o desespero tomou conta de todos, quando Nair, aos 42 do 2º tempo, no Pacaembu, teve a chance de acabar com o tabu. A cobrança do pênalti, porém, parou nas mãos de Cláudio e o jogo acabou 1 a 1.A redenção veio em 6 de março de 1968. Uma Quarta-Feira de Cinzas. No banco do time de Parque São Jorge, Lula, o técnico que formou o timaço rival. Em campo, Roberto Rivellino, 22 anos, tinha a função de armar as jogadas para os oportunistas Paulo Borges e Flávio. Não deu outra. Paulo Borges abriu o placar, com uma bomba de pé esquerdo de fora da área. Flávio ampliou. Festa total, parecia um título, que não vinha desde 1954. Após o jogo, muitos jogadores foram para o Parque São Jorge ver o VT, enquanto milhares de torcedores se dirigiram à capela de São Judas Tadeu aos gritos de "com Pelé e com Edu, quebramos o tabu."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.