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Reginaldo Leme
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Está dominado!

As chances de vermos em breve disputas apertadas na Fórmula-1 estão mais nas mãos da Ferrari do que nas de Rosberg. No momento eu vejo o alemão totalmente dominado. Não bastasse Hamilton ser um piloto mais talentoso, é também quem tem mostrado mais gana de vencer, em contraste com o abatimento de Rosberg, quase sempre com cara de derrotado. Do outro lado da balança a gente vê um Vettel, que já venceu um GP e esteve outras duas vezes no pódio, e um Raikkonen seguro e rápido como há muito não se via. Embora ele esteja perdendo de 4 a 0 para Vettel na ordem de largadas, no Bahrein ele chegou a ficar mais de uma vez à frente do alemão nos treinos livres. A observação dos resultados, e também de alguns detalhes de comportamento dentro e fora da pista, leva à conclusão de que o progresso da Ferrari é maior do que pareceu na primeira corrida e não depende apenas do reencontro de Vettel com a alegria de pilotar.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2015 | 02h05

Quando a gente vê Toto Wolff e Niki Lauda, os homens fortes da Mercedes, dizendo que já sentem a ameaça da Ferrari, podem acreditar: não é da boca pra fora. No começo da temporada até soava como exagero de um adversário gentil, mas agora a ameaça, de fato, bate à porta da equipe que venceu 16 das 19 corridas do ano passado, três das primeiras quatro de 2015 e lidera os campeonatos de construtores e de pilotos.

Isso porque, mesmo chegando atrás de Raikkonen no Bahrein, Rosberg passou Vettel e recuperou a vice-liderança por um pontinho (66 a 65). Na comparação com o ano passado, Hamilton não tem o que temer. Nessa altura do campeonato, depois de quatro corridas, ele ainda estava quatro pontos atrás do companheiro. Hoje está 27 à frente. Se a Ferrari, de fato, entrar na briga, a consequência imediata é até favorável ao inglês por passar a ter Vettel e Raikkonen dificultando a vida de Rosberg. Mas, a médio prazo, também a dele pode se tornar mais difícil. Em resumo é bom que a Ferrari cresça, mas não tanto nem tão depressa.

A Williams, na dividida com a Ferrari, se deu mal. Neste momento ficou afastada da briga pela segunda força da F-1. Isso não interessa à Mercedes, que cede motores à Williams e tem todo interesse que a equipe de Felipe Massa volte a incomodar a Ferrari. Portanto, toda evolução que se conseguir no motor deverá ser transferida imediatamente para a equipe inglesa. É um pensamento lógico, sempre levando em conta a afirmação do próprio Massa de que os motores da Williams são exatamente iguais aos da Mercedes.

O mesmo raciocínio vale para a relação da Ferrari com a Sauber, que utiliza os motores italianos. A Ferrari tem todo o interesse em ver a Sauber evoluir. Mas é importante enxergar a realidade. Os 14 pontos que Felipe Nasr marcou estão acima da expectativa. Seguindo a lógica, pelo menos outras três equipes teriam de estar à frente da Sauber. Começando pela STR, que tem um bom carro e pilotos velozes, embora estreantes, como Max Verstappen e Carlos Sainz Junior. Mas ambos só marcaram seis pontos cada um.

A Lotus, agora com motor Mercedes, tem uma condição financeira bem melhor do que a da Sauber e dois experientes pilotos, mas ambos marcaram menos pontos do que o brasileiro. Romain Grosjean tem 12 e Pastor Maldonado ainda não saiu do zero.

E tem a tetracampeã Red Bull, por enquanto com apenas um piloto (Daniel Ricciardo) à frente de Nasr. Uma posição à frente e cinco pontos mais. Daí a valorização que tem se dado ao brasileiro. Pela lógica, pelo menos outros cinco pilotos deveriam estar à frente dele (Kvyat, Verstappen, Sainz Jr, Grosjean e Maldonado). E não se pode esquecer a McLaren, na qual eu aposto que até o segundo semestre estará brigando na metade do grid.

Em um mês e meio, Nasr conquistou um conceito de piloto veloz, técnico e também ouvi elogios de jornalistas estrangeiros em relação à forma de ele encarar a carreira e o que acredita que pode conseguir na F-1. A soma de tudo isso atraiu para ele a atenção da mídia internacional, que até o começo do campeonato, estava voltada para Max Verstappen, o menino prodígio de 17 anos.

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