Estádio corintiano terá suporte de fundo imobiliário

Especialistas dizem que Itaquerão pode ser rentável, entre outras razões, por causa da fidelidade do torcedor

Paulo Fávero, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2011 | 00h00

Depois de muito estudo, o Corinthians decidiu usar o formato de fundo imobiliário na construção do Itaquerão. Em um primeiro momento, chegou-se a cogitar uma Sociedade de Propósito Específico, mas depois preferiu-se adotar o fundo, que funciona como uma empresa de capital aberto e dará mais transparência à construção.

O diretor de marketing do clube, Luis Paulo Rosenberg explicou que tudo depende agora da definição de um banco - que também pegará o financiamento de R$ 400 milhões do BNDES - para dar o pontapé no projeto. "Vamos continuar negociando, mas está perto. Será feito através de um fundo imobiliário, que melhor atende às necessidades tributárias. Vamos precisar da institucionalização, que ainda não está definida, e do atendimento de normas do BNDES para o repasse", conta Rosenberg.

No caso do estádio em Itaquera, o fundo que será criado não tira a propriedade do Corinthians, mas a "propriedade fiduciária" (possibilidade de uso) será da instituição financeira que o administrará. "São enviados relatórios mensais para os investidores e quem manda no fundo é a assembleia de cotistas", explica Vitor Bidetti, diretor da Brazilian Mortgages.

Ele lembra que o fundo funciona por um prazo determinado e que o cotista pode ter como ativo a propriedade imobiliária ou o direito relativo àquela propriedade por um prazo a ser estipulado, como numa concessão. Desta forma, o Corinthians pode colocar como atrativos aos investidores os espaços do próprio estádio, como cadeiras e camarotes. "E também a arrecadação da bilheteria em jogos e shows, ações de marketing e naming rights", comenta Bidetti.

Rentabilidade. O fundo imobiliário pode proporcionar receita aos cotistas por meio de venda da propriedade ou aluguel. Isso não ocorrerá com o Itaquerão. A receita virá dos resultados da administração do gestor do fundo e as cotas poderão até ser negociadas na Bolsa. "No caso específico do estádio em Itaquera, a operação tende a ser altamente rentável, desde que se respeite a ética e a governança. O clube conta com um alto grau de fidelidade da torcida e essa iniciativa deve trazer muitos benefícios."

Um dos modelos de sucesso que o especialista cita é o caso do shopping Higienópolis, que foi o primeiro fundo de varejo do País. Em 1999, investidores pagaram R$ 40 milhões por 25% do projeto, que valia, na época, R$ 160 milhões. "Hoje ele vale próximo de R$ 1 bilhão. Quem investiu no shopping recebeu mais do que o CDI rendeu no período."

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