Estádio entra no centro de um jogo político

O jogo no Maracanã, não necessariamente o de ontem, é político e envolve Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada de 2016. Deixar o estádio exposto a imagens de água barrenta cobrindo o gramado, vestiários e fossos de acesso ao campo inundados e lama por toda parte soaria como mais que um alerta para Fifa e Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre as condições do Maracanã de abrigar os dois eventos mais importantes do calendário esportivo mundial.

Sílvio Barsetti, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2010 | 00h00

Isso explica o esforço do poder público de aprovar a realização do jogo Flamengo x Universidad do Chile no estádio, com o apoio incondicional do clube da Gávea. O eventual cancelamento da partida poderia pôr em xeque os argumentos do Estado de que o Maracanã sofreu apenas os efeitos de uma situação calamitosa, portanto atípica, e que voltara à ordem rapidamente.

O Complexo do Maracanã consumiu cerca de R$ 350 milhões para obras e reformas visando ao Pan-Americano de 2007 - a maior parte da quantia foi direcionada ao Ginásio do Maracanãzinho, cuja quadra ficou submersa na madrugada de terça-feira. Para 2014, a previsão é de que mais R$ 400 milhões sejam utilizados a fim de deixar o estádio em acordo com as exigências da Fifa e assim receber o jogo final da Copa do Mundo.

Nesse contexto, Flamengo e Universidad disputaram um antijogo, em que os critérios para sua aprovação não levaram em conta vários aspectos. Talvez o mais grave tenha sido reter no estádio e no seu entorno centenas de policiais militares, guardas municipais, bombeiros e garis que poderiam estar envolvidos de algum modo nas operações de remoção de escombros e busca das vítimas da tragédia provocada pela chuva.

É JORNALISTA DO "ESTADO"

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