Estádios sob ameaça para o Paulista

Prazo para a FPF receber laudos necessários para liberar as praças acaba amanhã e clubes ainda buscam documentação

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2010 | 00h00

O Paulista de 2011 começa em 16 de janeiro, mas os clubes têm até amanhã para entregar à Federação Paulista de Futebol os laudos técnicos necessários para que seus estádios sejam considerados aptos para receber partidas. O prazo estabelecido dificilmente será cumprido. Até ontem, apenas quatro equipes (não reveladas) haviam enviado a documentação. A FPF ameaça recomendar ao Ministério Público a não liberação das praças que não obedecerem o cronograma.

Após o barulho feito pelo MP em setembro sob alegação de descumprimento de quesitos necessários para dar segurança aos torcedores (leia ao lado), a FPF criou, no mês seguinte, o Departamento Técnico de Estádios, para tratar do tema. "Vamos fiscalizar, mas também ajudar os clubes, caso solicitem algum aconselhamento técnico"", disse o engenheiro civil e oficial do Corpo de Bombeiros Humberto Macambyra, diretor do departamento.

Para um estádio obter aval são necessários laudos que atestem a garantia de segurança e condição sanitária e também de higiene nos estádios. Os pareceres são feitos pela Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária. A FPF quer os laudos até amanhã - embora o artigo 23 do regulamento do Estadual determine 45 dias antes do início da disputa, o que seria 2 de dezembro - para que possa analisá-los, pedir correções necessárias nos estádios e depois enviá-los ao MP até 16 de dezembro, como acordado com o órgão.

O Estado consultou alguns clubes e constatou que ainda há dúvidas até sobre formas de procedimento. "Já foi feita vistoria em nosso estádio (o Santa Cruz), mas o MP determinou que PM, Bombeiros e a Vigilância mandem os laudos diretamente para ele. Então, não sabemos o que temos de fazer (de ajustes)"", disse o vice-presidente do Botafogo, Gilberto Pinhata. "Se soubéssemos, poderíamos resolver os problemas com rapidez.""

Extraoficialmente, sabe-se que foi pedido, por exemplo, a construção de laje isolando o vestiário do banheiro destinado às Policias femininas no estádio.

Mauro Guerra, diretor de futebol do Oeste, disse que no estádio Idenor Picardi está sendo feito tudo o que os órgãos que fizeram a auditoria pediram, "como a troca das madeiras desgastadas em parte da arquibancadas"". Ele ainda não enviou os laudos à FPF. "Mas isso pode ser feito de dos dois jeitos: nós enviamos e os vistoriadores também"".

A vistoria no Moisés Lucarelli ocorreu quarta-feira. "Não tem nenhuma restrição"", garante o administrador do estádio da Ponte Preta, Odair Marcussi. O clube ainda não mandou os documentos para a federação. "Quem vai enviar são os órgãos.""

Macambyra estranha as dúvidas. "A responsabilidade do envio da documentação à entidade é dos clubes, mesmo que também enviem para o MP"", disse. Como o prazo termina no fim de semana, ele vai esperar até segunda-feira para fazer balanço. Mas alerta: "O clube que não cumprir o prazo corre risco: a FPF pode recomendar ao MP a não liberação do estádio"".

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