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Antero Greco
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Estaduais inúteis? Sei...

Durante décadas, séculos ou sei lá desde quando na história da humanidade, reputações cresceram e se firmaram, ou foram soterradas, na base da propaganda boca a boca. Fatos, ideias, pessoas, produtos, governos eram avaliados na conversa de pé de ouvido. Agora, mudou só a forma, pois fama e ruína vêm na velocidade do tempo real das redes sociais, e sua tirânica capacidade de proliferar conceitos.

ANTERO GRECO,

09 de fevereiro de 2014 | 02h03

Nesse embalo, em tempos recentes se decretou que os Estaduais não têm mais serventia. Viraram torneios anacrônicos, sem sentido, forma arcaica de cartolas de federações manterem poder, ao lidar com freguesia cativa e economicamente dependente. Apelo, ora, esse apenas entre o público nostálgico, o pessoal da terceira idade, aqueles que ainda não torcem para times estrangeiros, senão como primeira, como segunda opção

Admito que as competições bairristas uma época fizeram a grandeza de tanta equipe por aí e hoje deram esvaziada tremenda. Não nego que dirigentes ainda se valem delas para sustentar a igrejinha de apadrinhados, para empresários exporem mercadoria. Não sou inocente, também, de não perceber que, de outro lado, existe interesse em extinguir os choques paroquiais, pois atrapalham projetos amplos, de publicidade nacional. Jogo pesado.

A imprensa, meio do qual faço parte, desce a ripa no que avalia como quantidade absurda de partidas inúteis nos primeiros meses das temporadas. Muito bem, devemos azeitar sempre o senso crítico. E para os torcedores? Já nos demos conta dos efeitos que os Estaduais provocam neles? Ficam indiferentes, passam batido pelas exibições de fim de verão e começo de outono? Sustentam comportamento indiferentes, altivos, de lordes ingleses, diante de sucessos ou derrapadas? Tanto faz se o time for campeão ou rebaixado?

Pois afirmo que sentem, e como, cada gol a favor e cada cutucada dos rivais! O fanático pelo joguinho de bola não racionaliza a natureza do campeonato, não pesa prós e contras do que veem em campo. O negócio deles é ver a equipe por cima, a colecionar vitórias, a torpedear quem vier pela frente. Graças a Deus que assim é. No dia em que alguém que se diz torcedor ignorar a presença do manto sagrado de sua agremiação seja lá em que situação for - até festival de várzea -, então podem fechar as portas e assumirmos de vez que nos fascinamos pelo Barça, pelo Manchester ou até por curling, esse curioso esporte dos Jogos de Inverno.

Deu para perceber como o "Paulistinha", como amigos queridos (não é Juquinha?) o tratam, não diz nada. Veja os corintianos, por exemplo. Estão felizes da vida com as quatro derrotas seguidas e a lanterna no Grupo B. Sorriso cheio de dentes, como se viu no meio da semana no Pacaembu e oito dias atrás na invasão do CT. Ficaram chateadíssimos com a debandada de certos jogadores que entraram na lista negra. Aqui, Geralda!, como se dizia no Bom Retiro, berço alvinegro.

Os palestrinos nem vibram com as seis vitórias enfileiradas pela rapaziada de Gilson Kleina. Nenhum deles está com esperança de que o ano do centenário possa marcar-se com uma taça - a do Paulista que seja. Não, não haverá festa e espoucar de rojões, se o Palmeiras faturar o título. Assim como os santistas não se encantam com as diabruras da meninada do Osvaldo de Oliveira. E os são-paulinos têm convicção de que a moçada de Muricy Ramalho desta vez não oscilará como em 2013. Vão nessa ilusão.

Os Estaduais caminham para a extinção? Pode ser, a vida é dinâmica. Lamentarei, fazer o quê? Até lá, porém, os filósofos, os sábios, os pacíficos e mesmo os cretinos de arquibancadas, continuarão a preocupar-se tão e exclusivamente com uma coisa: a glória de seus times. E não venham com papo de que só valem os clássicos. Tudo conta, mesmo que seja ilusório. Veremos hoje como reagirão, após Palmeiras x Audax, Ponte x São Paulo, e principalmente Mogi Mirim x Corinthians. Nos falamos amanhã.

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