Estadual começa com apenas um grande estádio liberado na Capital

Pacaembu e Palestra Itália estão em obras e Canindé, interditado. Só o Morumbi pode receber jogos importantes

Martín Fernandez, O Estadao de S.Paulo

15 de janeiro de 2008 | 00h00

O Campeonato Paulista começa amanhã, sem três de seus mais tradicionais palcos. Pacaembu e Palestra Itália, estádios onde Corinthians e Palmeiras mandam seus jogos, estão em reformas, e só abrem daqui a pelo menos um mês. O Canindé, da Portuguesa, não tem problema estrutural, mas a burocracia o impede de funcionar. A maior cidade do País, portanto, só tem dois estádios aptos para abrigarem jogos do estadual: o acanhado Conde Rodolfo Crespi, na rua Javari, do Juventus, e o Morumbi, do São Paulo. O Estádio Anacleto Campanella, em São Caetano, também está fechado.A partida de abertura do campeonato, entre Portuguesa e Santos, inicialmente marcada para o Canindé, foi transferida para o Morumbi, a apenas 5 dias de sua realização. Dos três estádios que estão fechados, o Pacaembu é o que vai demorar mais tempo para ficar pronto: só em meados de março. O Palestra deve ser reaberto no dia 10 de fevereiro. O Canindé ainda é uma incógnita.O Pacaembu, que pertence à Prefeitura de São Paulo, está em obras desde dezembro. Segundo o diretor do estádio, Aléssio Gamberini, o gramado está passando pela maior reforma em 20 anos. "Estamos tirando todo o excedente de terra acumulado nesse tempo, que deixou o gramado mais alto do que a pista de atletismo", conta. "Também estamos trocando o sistema de irrigação, que vai funcionar com água da chuva. Enfim, é uma reforma radical, para acabar com essa lenda de que o Pacaembu tem campo ruim." Os bancos de reservas também serão reformados. Até meados de março, quando o estádio deve ser reaberto, a prefeitura vai gastar R$ 880 mil. Nesse período, o Corinthians vai mandar seus jogos no Morumbi e na cidade de Mogi-Mirim.Numa segunda fase, haverá novas melhorias no Pacaembu, como reforma da pista de atletismo, troca das cadeiras e do placar eletrônico. "Mas essas demoram um pouco mais", diz Gamberini. No local também está sendo construído o "Museu do futebol", que custará R$ 30 milhões - bancados com leis de incentivo à cultura.INGRESSO MAIS CAROO Palmeiras abriu mão de jogar as primeiras partidas do Campeonato Paulista em seu campo para poder reformá-lo. Desde o fim do Campeonato Brasileiro, o estádio virou um canteiro de obras. O gramado foi replantado e os vestiários estão sendo reformados - o do Palmeiras, o do visitante e o dos árbitros, que era o mais precário. De acordo com o diretor administrativo do clube, José Cyrillo Júnior, o estádio fica pronto no dia 6 de fevereiro. "Se houver algum atraso, abriremos no dia 10", acrescenta. Cyrillo diz ainda que todos os laudos já foram entregues à Federação Paulista de Futebol. O cartola não descarta a possibilidade de um aumento no preço dos ingressos, justamente por causa das reformas. "Inicialmente o valor vai ser de R$ 20 para arquibancadas, R$ 50 nas cadeiras descobertas e R$ 60 para as cobertas", diz. "Mas antes da reabertura do estádio vamos fazer uma reunião e definir se vai haver aumento." As reformas vão custar entre R$ 300 mil e R$ 400 mil. O Palmeiras vai ter de mandar pelo menos três jogos em Barueri.O problema da Portuguesa é burocrático. O presidente Manoel da Lupa afirma ter documento do Contru (órgão da prefeitura de São Paulo que fiscaliza imóveis) liberando o Canindé para receber 15 mil pessoas. O documento valeu para o jogo contra o Criciúma, na última rodada da Série B do Brasileiro."O Contru me pediu para fazer algumas reformas, e eu fiz. Depois disso, não deu tempo de fazer o laudo do Corpo de Bombeiros", alega Da Lupa. De acordo com ele, as reformas feitas desde dezembro custaram R$ 200 mil. "Amanhã (hoje) vamos protocolar o pedido de vistoria dos Bombeiros. Espero que em breve o estádio esteja liberado." Da Lupa reclama da mudança de local do jogo contra o Santos: "Morumbi, 21h45, com TV para a capital. Vai dar prejuízo para todo mundo".NO ABCO caso do Anacleto Campanella é mais grave. O estádio usado pelo São Caetano é alvo de uma investigação do Ministério Público de São Paulo, que apura irregularidades nas licitações. A prefeitura gastou quase R$ 4 milhões em obras no estádio nos últimos anos - a maioria sem projeto de engenharia.

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