''Este é meu ano'', diz Borges

Atacante foi o maior goleador são-paulino na temporada

Giuliander Carpes, Brasília, O Estadao de S.Paulo

08 de dezembro de 2008 | 00h00

Nas duas últimas conquistas nacionais, o São Paulo se ressentia de um goleador. A principal arma de ataque era o goleiro Rogério Ceni, artilheiro em 2006 (8 gols) e 2007 (7 gols). Mas a conquista do hexa foi diferente. Borges apareceu decisivamente na arrancada são-paulina. Ontem, mais uma vez, ele deixou sua marca. Começou o jogo discreto. Baixo para um atacante, com 1,76 m, parecia longe de transpor a marcação dos altos zagueiros do Goiás. Bastou um descuido da defesa - e do auxiliar, que deixou de assinalar impedimento do jogador -, para Borges marcar o seu 16º gol. O valioso gol do título."Foi um momento de alegria, de desabafo", admitiu. "Acabei lembrando de tudo que passei neste ano. Dei a volta por cima. Este é o meu ano." O atacante tem uma média impressionante nos últimos jogos. Depois de amargar dois meses sem fazer um gol - em boa parte do tempo, estava lesionado -, anotou oito gols nas cinco últimas partidas. "A fase está muito boa", reconheceu.Borges é uma aposta do técnico Muricy Ramalho. O atacante chamou a atenção quando atuava pelo desconhecido Jataíense, do interior de Goiás. Bastou o treinador levá-lo para o São Caetano, em 2004. Naquele ano, no entanto, Borges não foi muito aproveitado. Faltava maturidade. Ficou no banco de reservas durante a conquista do Campeonato Paulista daquele ano, o primeiro e único da equipe do ABC paulista.Muricy deixou o São Caetano no segundo semestre. Foi treinar o Internacional, onde ajudou a revelar outros nomes para a equipe colorada. Mas nunca se esqueceu daquele centroavante baiano, brincalhão, que deixou de aproveitar.Borges continuou seguindo seu caminho e teve uma boa temporada no Paraná. Fez 19 gols no Campeonato Brasileiro de 2005. Amadureceu. Estava pronto para ter uma oportunidade num grande clube do futebol brasileiro. Foi o que ocorreu no começo de 2007, depois que Borges teve uma passagem pelo futebol japonês. Chegou ao São Paulo por intermédio de uma indicação do seu "velho professor" Muricy. "A gente já havia tentado trazê-lo outras vezes, mas stava bem no Japão, era um negócio difícil", diz o treinador. "O Muricy foi muito importante para mim", reconhece. Borges chegou e confirmou a fama de matador. O São Paulo não se arrependeu. Antes à sombra de Aloísio e também de Adriano, que ficou só seis meses no clube, o novo ídolo acabou a temporada 2008 como maior artilheiro do time, com 26 gols. "Quando eu estava de férias, chegou o Adriano. Passei por momentos difíceis", atesta Borges. "Agora me firmei e tenho minha importância."

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