Estilhaços da bomba

Monza ferve. Além da boa chance de mais uma vitória da Ferrari, de Fisichella dentro do cockpit "rosso" e de um novo capítulo na briga pelo título entre duas equipes que mudaram a história da F-1, apareceu a carta de Nelsinho Piquet que deu origem ao novo escândalo da Fórmula-1. Nela o piloto deixa claro que a ideia partiu de Flavio Briatore e Pat Symonds, o que será ponto importante da investigação, já que a defesa de Symonds é dizer que a ideia veio de Nelsinho. Há descrição detalhada do momento em que Symonds lhe mostrou num mapa do circuito o local exato onde deveria acontecer o acidente, na curva 17. Naquele ponto, por não haver guinchos nem abertura lateral no muro, seria certa a entrada do safety car.

Reginaldo Leme, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

Segundo o que Nelsinho descreve na carta, será muito fácil provar que a batida foi intencional porque, depois do primeiro toque em um lado do muro, em vez de frear, ele acelera para bater do outro lado. E confirma também duas das minhas informações durante a transmissão da Bélgica, até então ainda não confirmadas - a de que ele chamou a equipe pelo rádio várias vezes perguntando se já estava na volta 14, a volta combinada para o acidente, e que um engenheiro da Renault estranhou os dados da telemetria.

Nelsinho afirma não ter conhecimento de que algum outro membro da equipe soubesse da trama. Como eu disse há uma semana, vinha mais coisa por aí. E já apareceu. Mas ainda tem muito mais.

No Mundial, depois de ver um único carro vencer seis das sete primeiras corridas do ano, não era de se esperar que a F-1 ainda conseguisse no decorrer do ano assistir a um equilíbrio de forças marcando a segunda metade do campeonato. Não fosse a influência tão grande do kers em Monza, nós poderíamos ter McLaren, Ferrari, Renault, Brawn, Red Bull, Toyota, BMW e até a Force India com possibilidades de andar na ponta. Sem contar a Toro Rosso, que venceu a corrida do ano passado. Graças às quatro retas de Monza e à aceleração nas saídas das chicanes, o kers fará de McLaren, Ferrari e também Renault, que volta a usar o dispositivo, favoritas destacadas na corrida. Com direito até ao uso da força extra do kers por duas vezes numa mesma reta.

A linha de chegada em Monza fica bem no meio da reta do box. Portanto, o piloto usa o que lhe resta do kers para ganhar velocidade na saída da curva Parabólica e início da reta. Só que, ao cruzar a linha de chegada, a reserva de kers é renovada, e pode ser acionada de novo para garantir potência extra na segunda parte da reta. Um requinte que, na medição da Renault, vale 4/10 de segundo por volta. É muito ! Mas, se a vitória vai ser decidida entre as três que têm o kers, a briga pelo título também promete momentos especiais. Como a Itália costuma fazer bom trabalho no televisionamento, provavelmente teremos oportunidade de ver Button, Rubinho, Vettel e Webber brigando pelo que restar dos pontos. Vantagem para o líder Button. Qualquer dos três rivais que chegar à sua frente não vai ter muitos pontos para botar no bolso. A grande parte do bolo será dividida entre os que não estão na briga pelo título.

A vitória de Raikkonen em Spa reacendeu a chama da paixão do torcedor italiano pela Ferrari. E a presença de Fisichella ajuda a mantê-la em fogo alto. Fisichella levou 225 GPs e 14 anos de F-1 para alcançar o que sempre sonhou: pilotar a Ferrari. Na vida real, o momento chega de forma diferente da que foi sonhada a vida toda. Mas chega em pleno Autódromo de Monza, que já deve ter sido palco de muitas cenas vividas nesses 14 anos de sonho. O que aumenta o friozinho na barriga.

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