Estilo de jogo inconfundível

ALEXANDER DOLGOPOLOV, Tenista ucraniano, 32º do ranking mundial, vice-campeão do Brasil Open

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2011 | 00h00

Um ucraniano chamou a atenção do mundo do tênis nestes primeiros dias de 2011. O interesse por Alexander Dolgopolov se justifica. Chegou às quartas de final do Australian Open, no mês passado, e no Brasil Open, disputado na Costa do Sauipe, na Bahia, nesta semana, foi vice-campeão (perdeu do espanhol Nicolás Almagro por 6/3 e 7/6). No início do ano passado, o ucraniano de 22 anos era apenas o 131.º do ranking mundial. Dolgo, como é chamado pelos colegas de circuito, tem um estilo de jogo inconfundível, um misto de técnica de jogador profissional com a malícia característica dos tenistas veteranos que disputam sets no fim de semana nos clubes mundo afora.

"Começou quando o meu pai me ensinava. Os golpes saíram com naturalidade", conta o tímido e sorridente ucraniano em entrevista ao Estado. "Quando a jogada ficava difícil, tentava dar um slice de forehand, por exemplo, e acabei desenvolvendo esta jogada de maneira a torná-la uma arma."

O filho de Oleksander Dolgopolov, antigo treinador do também ucraniano Andrei Medvedev - finalista de Roland Garros em 1999 -, hoje ocupa a 32.ª colocação no ranking e não para de subir. Seu novo desafio é desenvolver este jogo heterodoxo nas quadras de saibro, onde o antigo pupilo de seu pai desfilava com maestria durante a década dos anos 90. Anos, aliás, que foram muito importantes para o infante Dolgopolov, que, desde muito pequeno, viajava com o pai pelo circuito, era mimado pelos jogadores e virou ameaça para os principais nomes do circuito.

Você esperava aquela campanha no Australian Open?

Não, não tinha nenhuma expectativa, até porque meu melhor resultado na Austrália havia sido apenas uma terceira rodada. Estava me sentindo muito à vontade e simplesmente tentei jogar o meu melhor tênis. As coisas foram acontecendo jogo a jogo.

Você não tem muita experiência no saibro. Como foi voltar à superfície no Brasil?

Eu realmente não joguei muitos torneios da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) no saibro. Comecei a jogar melhor a partir do final do ano passado e isso foi em quadras duras, é onde tenho meus melhores resultados. Este ano vou poder entrar direto nas chaves dos torneios de saibro e minhas chances são melhores. No ano passado precisei jogar muitos challengers e não tive muitas chances de disputar os maiores torneios no saibro. Não posso dizer que estou no auge da forma na superfície, é o meu primeiro torneio nela desde julho, mas agora estou mais acostumado a jogar contra os grandes jogadores, meus resultados melhoraram, estou atuando de forma mais sólida. Acredito que posso mostrar resultados melhores neste tipo de quadra.

Quais foram as suas impressões do Brasil Open?

Gosto muito de vir. Já havia vindo uma vez, quatro anos atrás (2007), com meu pai, para disputar o qualifying, mas não tive muita sorte. O torneio é muito gostoso, a maioria dos jogos é à noite, então dá tempo de aproveitar o hotel, a praia, nadar um pouco.

Você tem um estilo de jogo diferente, tenta golpes pouco comuns no circuito, como o slice de forehand. Como você começou a jogar desta forma?

Eu gosto de tentar golpes diferentes desde que era criança e é algo que sai naturalmente durante as partidas conforme a necessidade. Começou quando o meu pai me ensinava a jogar e saiu com naturalidade. Quando a jogada ficava mais difícil, tentava dar um slice de forehand, por exemplo, e acabei desenvolvendo esta jogada de maneira a torná-la uma arma. Mas eu realmente não penso propositalmente em fazer nada diferente, as situações normais de jogo que criaram os golpes diferentes.

Há técnicos que não incentivam que seus alunos desenvolvam jogadas tecnicamente diferentes. O que o seu pai falava destas jogadas no início de sua carreira?

Ele tentava me ensinar o máximo possível de golpes. Quando meu jogo se desenvolveu, ele viu o que era melhor para mim, o que eu poderia utilizar e ajudou o meu estilo de jogo a se solidificar.

Mudando de assunto, é verdade que você comprou um apartamento com a premiação em dinheiro (R$ 350 mil) que você ganhou no Australian Open?

Ainda não comprei, mas estou planejando fazer isso. Desde então não tive muito tempo de procurar com calma por um. Não tenho um apartamento próprio na Ucrânia e acho que agora vai ser possível comprar um em Kiev, onde moro desde que tinha oito anos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.