Estrago alvinegro

Na crônica de ontem escrevi que o dano maior, em caso de derrota no clássico, seria para o São Paulo. Nem tanto no campeonato estadual - nesse seguirá em frente, assim como o Corinthians e outros grandes. Eventuais desdobramentos negativos podem surgir na sequência da Copa Libertadores, o objetivo maior do clube. Muricy Ramalho e rapaziada têm cultivado a desconfiança do torcedor em torno da capacidade deles de superarem o desafio de passar adiante numa chave em que há os rivais alvinegros, além do Danubio e do San Lorenzo.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

09 Março 2015 | 02h04

O medo do são-paulino é parar no início da caminhada que leva ao tetra continental. Temor reforçado pelo desempenho fosco em momentos decisivos, sobretudo contra o Corinthians, que se transformou em enorme pesadelo. Não há como negar que a equipe balança quando topa com o algoz dos últimos anos. De Rogério Ceni a Luis Fabiano, trava todo mundo, raros os que se salvam em dia de Majestoso.

Não foi diferente no jogo número 304 da história entre adversários tão tradicionais. O São Paulo negou fogo, foi intranquilo até na hora do pênalti - episódio no mínimo discutível, porque Gil fez gesto involuntário para proteger o rosto e não para impedir chute a gol. Rogério, do alto da experiência de goleiro artilheiro, parou no joelho de Cássio e no travessão. Se, antes do lance não era tranquilo, depois bateu insegurança e desespero. Melhor para o Corinthians, que com 11 já se defendia sem pudor, e com muita eficiência. Com um a menos, não teve a mínima hesitação de trancar-se a sete chaves.

O São Paulo não teve ninguém para chamar a responsabilidade da empreitada em casa. Não se apresentou aquele jogador para colocar ordem na equipe, controlar o nervosismo, corrigir esquema. Não foi Rogério na hora H, nem Michel Bastos, muito menos Luis Fabiano, desaparecido, nem Ganso, o meia que ruma para entrar na categoria do "quase", o que tinha tudo para ser astro e não vingou. Os demais não passaram de coadjuvantes.

Por ironia, quem mais se movimentou foi Centurión, em torno do qual se faziam restrições, já que é voz corrente no Morumbi que custa a adaptar-se. O argentino correu, principalmente no primeiro tempo, deslocou-se, trombou, driblou, abriu espaço. Tratou de sair do lugar-comum, do feijão com arroz oferecido pelos outros. O único que incomodou Cássio. Um pouco.

O Corinthians não esteve impecável e exuberante. Nem exibe tal veleidade. A proposta é ter o controle do jogo a maior parte do tempo - e isso executa muito bem. Tem consciência do que deseja e está preparado para suportar pressão. Era assim na passagem anterior de Tite, tem repetido o script. De quebra, conta com jogadores que decidem, que dão o ar da graça em situações agudas. Danilo puxa a fila. Só para chover no molhado, fez o gol da vitória, segurou a zaga do São Paulo e se comportou como a referência no meio. Cedeu lugar para Edu Dracena, após a expulsão de Gil. E, claro, Cássio fez a parte dele: a defesa do pênalti ajudou a desorientar o São Paulo. Cresce também Felipe.

O clássico de público decepcionante - preço e medo de violência afastam os bons torcedores - mostrou o Corinthians duro na queda. Nem sempre com futebol agradável, porém maduro, de quem vai dar trabalho nas duas frentes de que participa. O São Paulo segue instável, cambaleante. Uma incógnita difícil de decifrar. E com clima quente, por mais que entrem em ação bombeiros sempre dispostos a desfiar a ladainha de que se trata de clube diferente, imune a fofocas e crises.

Freguês sem razão. O palmeirense anda empolgado com o time e aderiu em massa ao programa de sócio-torcedor. A prova está nos 30 mil para o jogo com o Bragantino, no sábado. Mas são muitos os que reclamam - e mais de uma vez - de descaso para entrar no estádio, com tratamento ríspido. Isso ainda pode dar confusão. Com a palavra, clube, PM, FPF e administração do Parque.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.