Estratégia valorizada

Que lições os engenheiros da Fórmula 1, que já passaram por tantas mudanças de regras, podem ter tirado dessas três primeiras etapas do Mundial para aplicar nas próximas? Parece muito claro que a abertura do flap da asa traseira e o kers trouxeram alternativas interessantes, e que a avaliação correta do que cada tipo de pneu pode render em diferentes momentos da corrida tornaram a escolha da estratégia, mais do que nunca, fundamental. Dela depende o sucesso ou o fracasso. Na última corrida, por exemplo, Sebastian Vettel parou duas vezes no box e perdeu mais tempo do que Hamilton, que parou três. A Ferrari cometeu o mesmo erro da Red Bull e isso tirou a chance de um melhor resultado de Felipe Massa, talvez até um pódio.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2011 | 00h00

Sobrou ainda uma lição bem fora dos padrões, como a aposta de Mark Webber, que, largando em 18.º, foi o único a começar a corrida com pneu duro enquanto só tinha carro mais lento para superar, e pôde trocar para o pneu macio em todas as suas paradas, o que foi decisivo no momento em que ele enfrentou carros mais velozes e passou todos eles para chegar ao pódio. A maior lição desta ótima corrida de Webber foi o fato de que ele deu 10 voltas com o pneu duro e, depois, fez mais três trechos de 15, 15 e 16 voltas com o pneu macio. O pneu duro perdeu eficiência mais rápido do que o macio.

Até então, desde a pré-temporada, o que se sabia é que os pneus macios mantinham performance entre 10 e 11 voltas, e os duros, entre 17 e 18 voltas. Na China, a equação não valeu, e não apenas no caso de Webber.

Mas a próxima pista, da Turquia, é uma das que mais gasta pneu. E aí, o que fazer? Podem apostar que cada engenheiro já tem as conclusões dele e elas vão bem além daquelas que nós, simples torcedores, somos capazes de tirar de nossas observações.

A evolução da McLaren, que não é circunstancial, pode dar uma cara nova à F-1. A vitória na China, certamente, já trouxe mais entusiasmo à equipe, que promete um pacote de novidades e vai encontrar no circuito turco as curvas longas e velozes, que são o ponto mais forte do carro da equipe inglesa. Vai ser um páreo duro porque a Red Bull ainda deve estar um degrau à frente. E esta é uma pista na qual ela ficou devendo no ano passado. Foi nesta corrida que a Red Bull quase perdeu a liderança do campeonato quando Vettel forçou passagem em cima do líder Webber e os dois foram parar fora da pista. Webber ainda conseguiu voltar e terminou em terceiro. Vettel ficou fora chamando o companheiro de louco através de gestos mostrados para o mundo todo.

Um bom sinal. Já fazia um bom tempo que o Brasil não tinha um começo tão bom no prestigiado Campeonato Inglês de Fórmula 3, de onde saíram todos os nossos grandes campeões mundiais na F-1. Em seis corridas, quatro vitórias, sendo três de Felipe Nasr e uma de Lucas Foresti. Os dois são nascidos em Brasília, ambos têm 18 anos, e nas últimas três provas eles fizeram dobradinha brasileira no pódio.

Além das três vitórias, Nasr (equipe Carlin) soma cinco pódios, uma pole e lidera o campeonato com 92 pontos. Foresti (equipe Fortec) tem três pódios, além de uma vitória e uma pole, ocupando a 2.ª colocação no campeonato, com 58 pontos. O curitibano Pietro Fantin, de 17 anos, que fez apenas um ano de F-3 sul-americana em 2010, defende a equipe Hitech, também já conseguiu um 2.º lugar e está em 7.º no Campeonato Inglês. E tem ainda o paulista Pipo Derani, também de 17 anos, 10.º colocado na F-3 alemã no ano passado, defendendo a equipe Double R, mais fraca que as outras. O campeonato tem 10 etapas, cada uma com três corridas, o que dá um total de 30 largadas. Além de seis circuitos ingleses, o campeonato tem corridas em Monza (Itália), Nurburgring (Alemanha), Paul Ricard (França) e Spa-Francorchamps (Bélgica), o que o torna uma boa escola para uma carreira bem feita. Quatro vitórias em seis, sem dúvida, são um sinal inequívoco de que temos uma nova geração sendo preparada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.