Estrela de Hamilton brilha em Mônaco

Competência e sorte dão vitória ao inglês em prova complicada

Livio Oricchio, MÔNACO, O Estadao de S.Paulo

26 de maio de 2008 | 00h00

Chuva, depois pista quase seca, indefinição sobre qual pneu usar, batidas, safety car, enfim, corrida caótica. Cenário ideal para um piloto como Lewis Hamilton, da McLaren. A exemplo das provas da Austrália, neste ano, e do Canadá e do Japão, na temporada passada, igualmente cheias de variáveis, ele voltou a demonstrar a competência de 2007 e ganhou com autoridade e sorte, ontem, o GP de Mônaco. O resultado pôs o inglês novamente na liderança. Hamilton nunca se emocionou tanto, apesar de já ter vencido outras cinco vezes na F-1. Tão logo deixou o cockpit da McLaren, na frente do pódio, sua expressão sugeria que ele ainda não havia superado o que aconteceu no ano passado, no mesmo circuito, quando teve de ceder a vitória para Fernando Alonso, então seu parceiro. "É o momento mais alto da minha carreira, me lembrarei dele para o resto da vida", afirmou Hamilton. Disse ter pensado em Ayrton Senna, seu ídolo, nas voltas finais. "Eu comecei a lembrar que o Ayrton venceu aqui e imaginei que ganhar também seria incrível." O pole position, Felipe Massa, terminou em terceiro. "Desta vez, erramos na estratégia", lamentou o piloto da Ferrari. Massa se equivocou em uma única ocasião, sem causar grande influência na classificação final. Os campeões mundiais Fernando Alonso, da Renault, e Kimi Raikkonen, da Ferrari, erraram várias vezes. E o segundo lugar ficou com o cada vez melhor Robert Kubica, da BMW. O dia de Hamilton não começou fácil. "Havia um rio na curva 12 (Tabacaria). Ao passar sobre ele, bati na grade", explicou o piloto da McLaren. Era a sexta volta de um total previsto de 78, reduzido para 76, por causa do limite de duas horas. Com a colisão, o pneu traseiro direito saiu da roda. Parecia fim de corrida para o inglês."Avisei a equipe, parei e eles realizaram um trabalho sensacional", contou. O incidente ocorreu quando Hamilton ocupava o segundo lugar - ele parou e conseguiu retornar em quarto, distante dos líderes, Massa, Kubica e Raikkonen. Na sétima volta, no entanto, o safety car entrou pela primeira vez na pista, por causa de um acidente entre Sebastien Bourdais, da Toro Rosso, e David Coulthard, Red Bull, na curva Massenet. Isso colocou Hamilton na corrida de novo. Também ajudou o fato de, na 13ª volta, Raikkonen ter precisado cumprir drive-through, por causa de outro erro da Ferrari: colocou os pneus do carro depois do prazo limite no grid. "Felizmente, mudamos minha estratégia e funcionou", contou Hamilton. A McLaren encheu o tanque e manteve o inglês na pista até a 53ª volta, quando também teve a chance de passar dos pneus intermediários para os de asfalto seco, ideais para aquela condição. "Nesse tipo de competição, você tem de estar no lugar certo na hora certa", comentou. Massa, por exemplo, precisou de um pit stop extra. Tudo o que aconteceu favoreceu Hamilton. A ponto de, na 60ª volta, liderar com impressionante vantagem de 40 segundos para Kubica, em segundo. A seguir, vinham Massa, Adrian Sutil, da Force India, com desempenho excepcional, em quarto lugar, e Raikkonen, na quinta posição. O inglês começou a ter problemas para manter a concentração. Nesse instante, um inconstante Nico Rosberg, da Williams, bateu forte na piscina. E a nova entrada do safety car acabou com a vantagem do piloto da McLaren. Na 67ª volta, o safety car saiu e os 14 pilotos que estavam na corrida tiveram 11 minutos para acelerar tudo o que podiam. "Meu carro estava muito bom e pude me manter em primeiro sem dificuldade", explicou Hamilton, rindo. "Quando acabou, coloquei tudo para fora. Este é o meu circuito favorito, a corrida que eu mais desejava vencer no mundo." Desde a vitória de Graham Hill, em 1969, com Lotus, um inglês não vencia nas ruas do principado. Hamilton conseguiu. Com méritos. Agora lidera o Mundial, com 38 pontos, seguido por Raikkonen, 35, Massa, 34, e Kubica, 32. A próxima etapa é o GP do Canadá, dia 8.

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