Amanda Perobelli
Amanda Perobelli

Estruturas precárias tiram São Paulo da rota dos grandes eventos esportivos

Maior cidade do País sofre com a condição de seus complexos esportivos

Demétrio Vecchioli e Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2017 | 17h00

Maior cidade do Brasil, São Paulo saiu da rota dos grandes eventos esportivos. Com a falta de condições da pista de atletismo e da piscina do complexo do Ibirapuera, além do atraso de dois anos na reforma do ginásio Baby Barioni, as estruturas minguaram. Ao mesmo tempo, o corte drástico nos convênios do Governo do Estado com confederações inibe a atração de grandes competições. Em 2017, São Paulo não receberá etapa da Liga Mundial, do Grand Prix de Vôlei ou da Copa do Mundo de Ginástica.

Voltar a organizar o GP Internacional de Atletismo no estádio Ícaro de Castro Melo parece difícil. Apesar da reforma recente, a pista sofreu avarias que a impedem de receber uma competição oficial. Só está liberada para treinamentos.

Já a piscina olímpica do Ibirapuera, reformada em 2013, tem descolamento de azulejos desde meados de 2015, impossibilitando a realização de eventos. Agora, ela enfim foi esvaziada para restauro.

Em 2014, o governo estadual liberou quase R$ 90 milhões em convênios com entidades e realizou, entre outros eventos, o Campeonato Ibero-americano de atletismo e o ATP Challenger Finals de tênis, todos no complexo do Ibirapuera. Também foram promovidos eventos internacionais de vôlei de praia e ciclismo, entre outras disputas nacionais. Em 2015, esse valor do convênio caiu para R$ 50 milhões/ano. Em 2016, a verba foi de R$ 3,7 milhões. Em termos absolutos, o número de convênios caiu de 159 em 2014 para quatro no ano passado.

Coordenador de Esporte e Lazer de São Paulo, Flávio Godoy de Toledo argumenta que uma mudança na legislação tornou a assinatura de parcerias um processo mais seguro, mas também mais lento. A nova lei 13019/2014 determina que todos os acordos têm de ser feitos por chamamento público, uma espécie de licitação. Toledo defende ainda que a crise econômica engoliu os patrocínios. “São Paulo perdeu espaço por causa da crise econômica. Os patrocinadores reduziram os investimentos”, diz o coordenador.

Em relação à piscina do Ibirapuera, os gestores afirmam que a falha foi do fornecedor da obra, que está sendo refeita sem custos adicionais.

O corte atingiu projetos de formação de atletas e quase tirou São Paulo dos Jogos Escolares de 2016. No esporte de alto rendimento, o cenário inibe a atração de competições de médio porte de modalidades olímpicas. O Estado perdeu ainda eventos internacionais de maratonas aquáticas, ciclismo e vôlei de praia. Só restou um torneio de badminton, em março deste ano, no Pinheiros, e um novo de tênis de mesa, em maio, provavelmente no CT Paralímpico, para onde migrarão os eventos paralímpicos do Ibirapuera. Exceto a Copa do Mundo de futebol, o último Mundial na cidade foi em 2011, de handebol, no próprio Ibirapuera.

Responsável por posicionar a metrópole, a SPTuris não tem setor de esportes. Assim, não há um trabalho centralizado para captar novos torneios. “Com a nova gestão, a SPTuris pretende aumentar a captação de eventos nacionais e internacionais. Estamos mapeando possibilidades de eventos e empresas promotoras responsáveis pelos mesmos para que o trabalho possa ser feito de forma estratégica e assertiva”, garante a autarquia.

REDUÇÃO

Para atrair competições, o governo estadual reduziu em 33% o aluguel do Ginásio do Ibirapuera neste ano – cerca de R$ 17 mil. “Baixamos o preço para tentar atrair mais atividades. Se comparar com os outros, é barato”, afirma Hélio Figueiredo, administrador do complexo esportivo Constâncio Vaz Guimarães, o Ibirapuera, reformado entre 2010 e 2013 ao custo de R$ 30,7 milhões.

Sexta-feira, o Estado acompanhou no complexo o Monstar Series, maior evento de crossfit da América Latina. No dia 19 de março, o local, com capacidade para 10 mil pessoas, vai receber o Jogos das Estrelas do NBB. Os times do SESI, Pinheiros e Paulistano, que disputam a Superliga e/ou o NBB, geralmente preferem atuar sempre em seus ginásios, de menor capacidade. 

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Demétrio Vecchioli e Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2017 | 17h00

A reforma do conjunto desportivo Horácio Baby Barioni foi iniciada em 2014 como plano de legado dos Jogos Olímpicos. A ideia era que o local servisse para preparação e treinamento de atletas e permanecesse como herança da Olimpíada para a população. Os Jogos já se foram faz tempo, mas uma das estruturas mais tradicionais da capital ainda está em obras, orçadas em R$ 27 milhões. A previsão agora é de que estejam prontas no fim do ano – o cronograma inicial dizia dezembro de 2015. Portanto, vai ser entregue mais de um ano após os Jogos do Rio.

Os administradores argumentam que o motivo do atraso foi a obtenção de licença ambiental. “Demoramos um ano e meio para conseguir a licença para cortar algumas árvores”, disse o diretor Urbano Sidney do Sacramento, ídolo do basquete brasileiro nos anos 1970. O processo de tombamento do ginásio principal do complexo também atrapalhou o cronograma, dizem os gestores.

Apesar de estar atrasada, a obra é cuidadosa e atual. As instalações são 100% acessíveis para atender dois objetivos básicos: aulas e cursos gratuitos à população e torneios oficiais. A preocupação com a acessibilidade convive com a arquitetura de 1940. A piscina, a primeira coberta e aquecida de São Paulo, conserva arquibancadas originais, por exemplo.

O Pacaembu também quer resgatar seu passado de glórias. Palco da cerimônia de abertura e encerramento dos Jogos Pan-americanos de 1963, o estádio apresenta uma nova piscina, alinhada às exigências da Federação Internacional de Natação. O objetivo é também oferecer aulas gratuitas aos associados, mas voltar a receber competições de alto nível e rendimento. “O município não fornecia aulas gratuitas de natação à população. O foco da reforma foi democrático, portanto. Se íamos fazer a reforma, por que não fazê-la dentro dos padrões internacionais?”, questiona Jorge Damião, atual secretário municipal de Esportes e Lazer.

A prefeitura vem realizando diversos workshops com representantes de federações e confederações para apresentar os diferenciais da piscina. A iniciativa foi bem-recebida, mas ainda não existem provas agendadas para este ano. As arquibancadas para 2 mil espectadores não recebem público desde o Sul-Americano de Polo Aquático de 2006. A piscina estava cheia na manhã de quarta-feira. Poucos usuários, porém, utilizaram o bloco de partida – plataforma na beirada da piscina de onde os competidores pulam na largada –, um dos diferenciais de piscinas oficiais.

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