Amanda Perobelli
Valor do aluguel do ginásio do Ibirapuera caiu 33% para atrair eventos Amanda Perobelli

Estruturas precárias tiram São Paulo da rota dos grandes eventos esportivos

Maior cidade do País sofre com a condição de seus complexos esportivos

Demétrio Vecchioli e Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2017 | 17h00

Maior cidade do Brasil, São Paulo saiu da rota dos grandes eventos esportivos. Com a falta de condições da pista de atletismo e da piscina do complexo do Ibirapuera, além do atraso de dois anos na reforma do ginásio Baby Barioni, as estruturas minguaram. Ao mesmo tempo, o corte drástico nos convênios do Governo do Estado com confederações inibe a atração de grandes competições. Em 2017, São Paulo não receberá etapa da Liga Mundial, do Grand Prix de Vôlei ou da Copa do Mundo de Ginástica.

Voltar a organizar o GP Internacional de Atletismo no estádio Ícaro de Castro Melo parece difícil. Apesar da reforma recente, a pista sofreu avarias que a impedem de receber uma competição oficial. Só está liberada para treinamentos.

Já a piscina olímpica do Ibirapuera, reformada em 2013, tem descolamento de azulejos desde meados de 2015, impossibilitando a realização de eventos. Agora, ela enfim foi esvaziada para restauro.

Em 2014, o governo estadual liberou quase R$ 90 milhões em convênios com entidades e realizou, entre outros eventos, o Campeonato Ibero-americano de atletismo e o ATP Challenger Finals de tênis, todos no complexo do Ibirapuera. Também foram promovidos eventos internacionais de vôlei de praia e ciclismo, entre outras disputas nacionais. Em 2015, esse valor do convênio caiu para R$ 50 milhões/ano. Em 2016, a verba foi de R$ 3,7 milhões. Em termos absolutos, o número de convênios caiu de 159 em 2014 para quatro no ano passado.

Coordenador de Esporte e Lazer de São Paulo, Flávio Godoy de Toledo argumenta que uma mudança na legislação tornou a assinatura de parcerias um processo mais seguro, mas também mais lento. A nova lei 13019/2014 determina que todos os acordos têm de ser feitos por chamamento público, uma espécie de licitação. Toledo defende ainda que a crise econômica engoliu os patrocínios. “São Paulo perdeu espaço por causa da crise econômica. Os patrocinadores reduziram os investimentos”, diz o coordenador.

Em relação à piscina do Ibirapuera, os gestores afirmam que a falha foi do fornecedor da obra, que está sendo refeita sem custos adicionais.

O corte atingiu projetos de formação de atletas e quase tirou São Paulo dos Jogos Escolares de 2016. No esporte de alto rendimento, o cenário inibe a atração de competições de médio porte de modalidades olímpicas. O Estado perdeu ainda eventos internacionais de maratonas aquáticas, ciclismo e vôlei de praia. Só restou um torneio de badminton, em março deste ano, no Pinheiros, e um novo de tênis de mesa, em maio, provavelmente no CT Paralímpico, para onde migrarão os eventos paralímpicos do Ibirapuera. Exceto a Copa do Mundo de futebol, o último Mundial na cidade foi em 2011, de handebol, no próprio Ibirapuera.

Responsável por posicionar a metrópole, a SPTuris não tem setor de esportes. Assim, não há um trabalho centralizado para captar novos torneios. “Com a nova gestão, a SPTuris pretende aumentar a captação de eventos nacionais e internacionais. Estamos mapeando possibilidades de eventos e empresas promotoras responsáveis pelos mesmos para que o trabalho possa ser feito de forma estratégica e assertiva”, garante a autarquia.

REDUÇÃO

Para atrair competições, o governo estadual reduziu em 33% o aluguel do Ginásio do Ibirapuera neste ano – cerca de R$ 17 mil. “Baixamos o preço para tentar atrair mais atividades. Se comparar com os outros, é barato”, afirma Hélio Figueiredo, administrador do complexo esportivo Constâncio Vaz Guimarães, o Ibirapuera, reformado entre 2010 e 2013 ao custo de R$ 30,7 milhões.

Sexta-feira, o Estado acompanhou no complexo o Monstar Series, maior evento de crossfit da América Latina. No dia 19 de março, o local, com capacidade para 10 mil pessoas, vai receber o Jogos das Estrelas do NBB. Os times do SESI, Pinheiros e Paulistano, que disputam a Superliga e/ou o NBB, geralmente preferem atuar sempre em seus ginásios, de menor capacidade. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Atraso nas obras faz Baby Barioni 'perder' Jogos do Rio

Reforma do complexo esportivo ficará pronta apenas no final do ano

Demétrio Vecchioli e Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2017 | 17h00

A reforma do conjunto desportivo Horácio Baby Barioni foi iniciada em 2014 como plano de legado dos Jogos Olímpicos. A ideia era que o local servisse para preparação e treinamento de atletas e permanecesse como herança da Olimpíada para a população. Os Jogos já se foram faz tempo, mas uma das estruturas mais tradicionais da capital ainda está em obras, orçadas em R$ 27 milhões. A previsão agora é de que estejam prontas no fim do ano – o cronograma inicial dizia dezembro de 2015. Portanto, vai ser entregue mais de um ano após os Jogos do Rio.

Os administradores argumentam que o motivo do atraso foi a obtenção de licença ambiental. “Demoramos um ano e meio para conseguir a licença para cortar algumas árvores”, disse o diretor Urbano Sidney do Sacramento, ídolo do basquete brasileiro nos anos 1970. O processo de tombamento do ginásio principal do complexo também atrapalhou o cronograma, dizem os gestores.

Apesar de estar atrasada, a obra é cuidadosa e atual. As instalações são 100% acessíveis para atender dois objetivos básicos: aulas e cursos gratuitos à população e torneios oficiais. A preocupação com a acessibilidade convive com a arquitetura de 1940. A piscina, a primeira coberta e aquecida de São Paulo, conserva arquibancadas originais, por exemplo.

O Pacaembu também quer resgatar seu passado de glórias. Palco da cerimônia de abertura e encerramento dos Jogos Pan-americanos de 1963, o estádio apresenta uma nova piscina, alinhada às exigências da Federação Internacional de Natação. O objetivo é também oferecer aulas gratuitas aos associados, mas voltar a receber competições de alto nível e rendimento. “O município não fornecia aulas gratuitas de natação à população. O foco da reforma foi democrático, portanto. Se íamos fazer a reforma, por que não fazê-la dentro dos padrões internacionais?”, questiona Jorge Damião, atual secretário municipal de Esportes e Lazer.

A prefeitura vem realizando diversos workshops com representantes de federações e confederações para apresentar os diferenciais da piscina. A iniciativa foi bem-recebida, mas ainda não existem provas agendadas para este ano. As arquibancadas para 2 mil espectadores não recebem público desde o Sul-Americano de Polo Aquático de 2006. A piscina estava cheia na manhã de quarta-feira. Poucos usuários, porém, utilizaram o bloco de partida – plataforma na beirada da piscina de onde os competidores pulam na largada –, um dos diferenciais de piscinas oficiais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.