Laurent Gillieron/AP
Laurent Gillieron/AP

Estudante pressiona COB em evento da ONU

A remoção de 4 mil pessoas por conta das obras chamam a atenção das autoridades. Nuzman se defende

, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2011 | 00h00

GENEBRA E RIO - O presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, e a diplomacia brasileira passaram por uma saia-justa diante de mais de 300 autoridades da ONU e governos de todo o mundo. Há dois dias, em um debate sobre o legado social dos Jogos Olímpicos, Nuzman foi questionado por uma estudante brasileira sobre a situação de 4 mil pessoas no Rio que seriam despejadas de suas casas por causa das obras para o evento em 2016. Wilfried Lemke, representante da ONU para Esporte, cobrou nesta quarta-feira uma solução de Nuzman e anunciou que quer visitar as famílias afetadas.

Quem colocou o chefe do COB em uma situação difícil foi a brasileira Isabela Ledo, que estuda urbanismo na Europa e faz sua pesquisa justamente sobre o legado social do evento em 2016. Na reunião organizada pelo COI e pela ONU, Isabela levou consigo panfletos mostrando a situação de Vila Autódromo, uma das comunidades a serem realocadas por conta dos Jogos.

Nuzman insistiu no programa Morar Carioca, "em que o governo dá novas casas com boas condições de saneamento às pessoas que vivem em más condições". "Milhares e milhares de pessoas estão recebendo estas casas e estão muito felizes", disse Nuzman. " É claro que na organização dos Jogos Olímpicos algumas pessoas são a favor e outras contra. Se algumas pessoas preferem morar em condições precárias no centro da cidade a morar a dez quilômetros do centro nas novas casas, ai é escolha delas", argumentou.

UPPs. O representante do escritório da ONU-Habitat para a América Latina e o Caribe, Alain Grimard, assinou nesta quarta um acordo de cooperação com a Prefeitura do Rio para levar o projeto UPP Social a todas as favelas pacificadas da cidade até o fim do ano. Grimard ressalvou que o ato não representava respaldo integral à forma como vêm sendo feitas remoções de moradores para preparar a cidade para a Olimpíada em 2016.

Recentemente, em entrevista ao Estado, a relatora especial da ONU para o direito à moradia adequada, Raquel Rolnik, apontou "graves violações de direitos humanos" em remoções realizadas pela prefeitura, consideradas arbitrárias. As denúncias se referem principalmente a favelas da zona oeste, áreas que serão cortadas por corredores expressos de ônibus. O prefeito Eduardo Paes (PMDB) autorizou a liberação de R$ 5 milhões para o programa. Grimard disse que a UPP Social tem o compromisso de integrar comunidades a partir da criação de infraestrutura.

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