Carol Sábio
Carol Sábio

Etapa de surfe em Fernando de Noronha encanta crianças do projeto social Alma Solar

Mesmo em pouco tempo de existência, projeto que conta com 50 crianças já se tornou referência no arquipélago

Paulo Favero, enviado especial a Fernando de Noronha, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2019 | 04h30

As 50 crianças que participam do projeto social Alma Solar, voltado a ensinar surfe e outras atividades no mar em Fernando de Noronha, puderem ter um contato mais próximo com os principais atletas do mundo que estão competindo nas ondas da praia da Cacimba do Padre na disputa do Oi Hang Loose Pro Contest.

Ver de perto seus grandes ídolos serve de estímulo para meninos e meninas que tentam aprender a ficar em cima de uma prancha em um projeto que é feito em parceria com a única escola - pública - do arquipélago. Logo que começou, em 1º de julho de 2017, uma dúzia de crianças participava. Mas ele foi crescendo e atualmente tem 50 inscritos e só não tem mais por falta de recursos.

"O mar é nosso quintal, então damos aulas de surfe e quando estamos fora da época de ondas temos aulas de canoa havaiana, apneia, mergulho e queremos trazer o windsurfe, mas o material é um pouco mais caro", explica Fernanda Simões, coordenadora do Alma Solar Noronha junto com Lucas Costa.

Mesmo em pouco tempo de existência, o projeto já se tornou referência no arquipélago e, além da parceria com a escola local, também é feito intercâmbio com escolas e empresas que fazem trabalho de campo. No ano passado, por exemplo, a EXPD (Experiências Pedagógicas Diretas) levou um grupo para conhecer o trabalho e doou livros para as crianças do Alma Solar. "Quem vem de fora procura a gente para conhecer melhor", conta.

Sem patrocinadores grandes, o Alma Solar Noronha recebe ajuda local para sobreviver. A ONG Golfinho Rotador envia dois voluntários para ajudar nas aulas aos sábados, o Bar do Cachorro oferece diariamente alimentação para o professor de surfe e a Casa Neuronha doou no ano passado nove pranchas fun boards, que permite atender melhor as crianças nas aulas. E o Bar do meio fez doação de 100 mochilas no início do ano.

Aos sábados, as crianças ganham um lanche com suco, bolo e sanduíche. "Uma mãe doa as polpas, eu compro água e faço o suco. Uma distribuidora daqui dá R$ 500 de ajuda de custo e fazemos o lanche, geralmente de presunto e queijo, e o bolo vem da pousada da Carmô, que é onde eu trabalho. Mas só tem isso de sábado porque durante a semana não seria possível", diz Fernanda. "Quando tem alguns eventos, contamos com colaboradores que são empresários daqui da ilha", continua.

Em uma situação ideal, que incluiria água, transporte, equipamento, salário dos professores, lanche e toda estrutura, o projeto necessitaria de algo em torno de R$ 11 mil por mês. E até pela falta de recursos, o Alma Solar não consegue receber mais crianças, apesar do interesse demonstrado em participar por muitos adolescentes na ilha. "Não tem como atender mais, infelizmente não temos estrutura para dar conta."

A falta de recursos também impede uma participação maior em competições de surfe em outros lugares. O Alma Solar possui alguns bons talentos em cima da prancha, mas que costumam participar apenas de torneios locais pelo alto custo em sair de Noronha e competir em outras cidades do Brasil.

Durante a etapa QS 6.000 em Noronha, muitos garotos puderam ver de perto os melhores surfistas do mundo em ação e alguns deles conheceram melhor o que é feito lá no Alma Solar. "É um projeto social independente e estamos tentando configurar como organização para conseguir captar mais recursos", admite Fernanda.

O sonho é conseguir transformar o projeto em instituto e poder atender as crianças no contra turno escolar. "Sou pedagoga e gostaria de dar um reforço escolar e ter cursos profissionalizantes que interessassem para a ilha, para que quando chegassem ali na frente não trabalhassem apenas como garçons ou recepcionistas e tivessem outras opções. Que a gente possa abrir esse leque, ampliar e funcionar todo dia", conclui, esperançosa.

 
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