'Eu não dependo da venda de Neymar'

Empresário, que tem contrato de gestão da carreira do craque, diz que a vontade do jogador deve ser considerada sempre

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h03

Empresário Wagner Ribeiro, representante de vários jogadores do futebol brasileiro, fala ao O Estado de S. Paulo sobre a transferência de Neymar para o Real Madrid.

O senhor é o representante de Neymar. Como foram estes últimos dias de negociações envolvendo jogador, Santos, Real Madrid e Barcelona?

O Real Madrid e o Barcelona procuraram o Santos oficialmente e foram autorizados a conversar com o jogador (agente e família). Houve uma disputa acirrada: quem oferece o melhor para o atleta, time dentro do campo, estrutura fora, dinheiro, cidade (onde é melhor morar). E detalhes como palco, passagens aéreas. Fizeram duas propostas. Discutimos em conjunto com o pai do atleta, senhor Neymar, e dona Nadine, a mãe. O Juninho (Neymar), sempre consultado, dizia que queria ficar no Santos, disputar o Mundial Interclubes, depois o Centenário. E, no final, ele e sua família deixaram a decisão para agosto de 2012, após a Olimpíada.

O Santos nega ter vendido o jogador. Neymar fica na Vila Belmiro até quando?

Ele não foi vendido, não assinou nada. Seu contrato com o Santos vai até 2015.

O senhor representa outros atletas do Santos. Como está a sua relação com o presidente, Luis Alvaro, e a diretoria?

A melhor possível, com respeito. Laor (Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro) é um sonhador. Fanático pelo clube. Digo que é o torcedor na cadeira de presidente. Sempre diz que o clube vive de títulos e quer aumentar a torcida, e que o Neymar se tornará um mito. Coloco a ele que sempre em conjunto com a família faremos a vontade do garoto.

Os clubes brasileiros vivem situação financeira complicada e os fundos de participação nos direitos do atleta se apresentam como alternativa de financiamento do futebol. Como funciona essa estrutura de fundos?

Existem poucos. Traffic, BMG e Teisa e outros menos conhecidos. Querem comprar os direitos econômicos dos atletas semiprontos. Alguns esquecem que para o jogador ser um Kaká, Robinho, Neymar, tem primeiro que ter uma base forte no próprio clube. Então devem investir no garoto cedo, não quando ele já estiver no time de cima. Além de ficar mais caro nesta situação, existe o preconceito que os fundos só querem lucrar, que é o negócio deles, e não fazem a gestão da carreira dos atletas.

O sistema de agenciamento de atletas, com empresários que mantém diversos atletas, sejam amadores ou profissionais, apostando em futuros craques, é uma prática justa, do ponto de vista dos atletas e suas famílias?

Sim. Posso falar por mim, porque não cobro e nunca cobrei 1 centavo sobre salário de jogador. Só ganho na transferência. Hoje tenho um contrato com o Neymar de gestão de carreira. Não dependo da venda dele.

Temos no país uma estrutura que privilegia o talento dos atletas?

Antigamente tínhamos mais campinhos nas grandes capitais. Hoje, não. Existem os clubes sociais e no interior de São Paulo muitos campos ao redor da cidade. No Norte/Nordeste ainda se joga futebol na rua, na praia, e, todo lugar. É onde mais a bola do menino rola.

Como um pai que quer ver o filho adolescente fazer sucesso deve agir? Procurar um clube ou um agente?

Procurar um agente primeiro, que vai levá-lo ao clube em seguida, não para a peneira, mas para fazer uma avaliação criteriosa. 1: adaptação ao clube, companheiros, relacionamento, dia a dia, interação com o grupo. 2: parte física (estar 100%) 3: parte técnica (treinos individuais); e 4: finalmente no campo.

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