EUA vencem a Liga; Brasil fica só em 4.º

Time de Bernardinho perde para Rússia na decisão do 3.º lugar

Daniel Brito, RIO, O Estadao de S.Paulo

28 de julho de 2008 | 00h00

No ginásio que o Brasil queria (Maracanãzinho), no horário que só os brasileiros jogam (10 horas), o vôlei masculino do País amargou três recordes negativos na Liga Mundial. A competição encerrou-se ontem, com o título dos Estados Unidos sobre a Sérvia, por 3 sets a 1, com parciais de 26/24, 25/23, 23/25 e 25/22, em 1h54. A quarta colocação verde-amarela veio com uma derrota por 3 sets a 1 para a Rússia (25/23, 25/19, 23/25 e 25/19), após 1h44. É o pior resultado desde 1998, quando a seleção ainda era dirigida por Radamés Lattari.Essa foi apenas a segunda vez que o time comandado por Bernardinho emendou dois reveses consecutivos. A primeira, seis anos atrás, ocorreu contra a Polônia, fora de casa. Nesse mesmo ano, o Brasil perdeu para a Rússia pela última vez. Coincidentemente, em casa, em Belo Horizonte, na final da Liga. Para completar o tripé de dissabores, havia sete anos que uma decisão da Liga não contava com a participação brasileira. Como prêmio de consolação, Dante foi eleito o melhor atacante da Liga. Giba, o melhor saque. Só ontem, ele fez seis pontos neste fundamento. O veterano levantador norte-americano Lloyd Ball foi eleito o melhor atleta da fase final.O que torna a situação preocupante é a proximidade dos Jogos Olímpicos. "Não somos estrelas, não somos imbatíveis, como se diz por aí. Formamos um time que está sujeito a derrotas", comentou o meio-de-rede André Heller. "Agora está tudo empatado para Pequim: Brasil, Estados Unidos, Sérvia, Rússia, Itália e Bulgária. São todos favoritos", classificou Gustavo, 32 anos, que disputa, na China, sua última competição com a camisa verde-amarela. "Uma derrota no Brasil, no final da carreira na seleção, com ginásio lotado é muito mais difícil de digerir."O tropeço na semifinal de sábado diante da "pedra no sapato", como é chamado o time dos Estados Unidos por Bernardinho, tirou o eixo gravitacional dos brasileiros contra os russos. "O emocional interferiu sim. Não consegui recuperar o time depois de ontem (sábado)", reconheceu o treinador, que sequer fez menção aos méritos técnicos dos russos. A "pedra" da vez foi o oposto Maxim Mikhaylov, de apenas 20 anos e 2m03 de altura. Ele cravou 21 bolas na quadra anfitriã e foi o maior pontuador da partida. "Estava difícil encontrá-lo em quadra", reconheceu Giba, segundo maior pontuador brasileiro, com 17, um a menos que Dante. "Não conhecíamos o Mikhaylov", explicou o levantador Bruno. Bernardinho preferiu valorizar os acertos. "Marcamos muitos pontos de bloqueio e saque. Mas cometemos erros no ataque, que é o nosso forte." Ele aproveitou a queda do trono da Liga Mundial (o Brasil tentava o sexto título seguido e o oitavo no total) para usar um pouco do seu discurso motivacional. "Os próximos dias serão do silêncio. Vamos ter insônia, ruminar a derrota. Gostaria de ter uma nova chance de lutar de novo, de treinar hoje mesmo, mas seria irracional", analisou.O presidente da Confederação Brasileira de Vôlei. Ary da Graça, disse que vai tentar trazer ao Brasil em 2009 uma etapa do Grand Prix feminino.

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