Ex-assaltante vira promessa do pugilismo

Papel e caneta na mão, vamos escrever a história de um campeão. O personagem principal pode ser um negro favelado, que, lutando, deu a volta por cima. Pobre, sem perspectivas, ainda adolescente chegou a participar de assaltos. Com 16 anos, acabou pego pela polícia, que encontrou armas em seu barraco. Acontece que o policial que o prendeu era também professor de boxe, e o convenceu a treinar em sua academia. Deixou o crime, entregou-se ao esporte, ganhou tudo como amador e ... O restante quem tem de contar, a partir de hoje, é o próprio Everton Caetano, o Tererê, superpena de 21 anos que estreou e venceu terça-feira sua primeira luta profissional. Em 1998, logo após ser detido, resolveu procurar o soldado da Polícia Militar Fábio Duarte, treinador há oito anos, apenas porque queria dominar algum tipo de luta. ?Eu sempre aceitei garotos com problemas iguais ao dele. Não dou lição de moral, mas, por outro lado, eles têm de se enquadrar. Ou seguem as regras ou nada feito?, diz Duarte. Tererê logo se envolveu, aprendeu a ter disciplina e hoje olha para trás sem um pingo de nostalgia. ?Sei que estava errado, mas minha mãe e meus irmãos não tinham o que comer e você acaba indo para o crime.? Dedicou-se tanto aos treinos que acabou se especializando em várias modalidades. Além do pugilismo, ganhou títulos e medalhas em kickboxing, boxe tailandês e nas lutas livre e greco-romana. Faturamento ? Recebia mensalmente, da Prefeitura de São Vicente, uma ajuda de R$ 600. Profissionalizado, ganha R$ 1.000 da Memorial Necrópole, do empresário Pepe Alstud, que sustenta os 80 garotos da Academia Memorial. Além do salário do patrocinador, Tererê leva ainda uma quantia ? não fixa ? cada vez que sobe ao ringue. No combate de estréia: R$ 250. Como amador, foi campeão paulista, brasileiro, da Forja dos Campeões, do Torneio dos Campeões, do Luvas de Ouro e dos Jogos Abertos do Interior. Antes de optar pelo profissionalismo, fez parte, até o início deste ano, da seleção permanente mantida pela Confederação Brasileira de Boxe. Nesta terça-feira, no Caiçara Clube, deu início a nova etapa de sua carreira. E já mostrou a que veio. Seu primeiro adversário, José Cláudio da Silva, de 37 anos, foi à lona três vezes e o juiz abriu contagem em quatro oportunidades. Apesar de ter chegado tão perto do nocaute, a vitória se deu por pontos após os quatro rounds. ?Queria um nocaute, mas encontrei um adversário que assimilou muito bem os golpes.?

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