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Ex-chefe do atletismo, Lamine Diack pode pegar até 4 anos de prisão por corrupção

Antigo dirigente saberá da sentença na quarta, em Paris, após se envolver com tráfico de influência e lavagem de dinheiro

Redação, Estadão Conteúdo

14 de setembro de 2020 | 13h24

O senegalês Lamine Diack, ex-presidente da World Athletics (antiga Iaaf, Associação Internacional de Federações de Atletismo na sigla em inglês) saberá nesta quarta-feira, em Paris, a sua sentença por corrupção, tráfico de influência e lavagem de dinheiro, podendo pegar até quatro anos de prisão.

Os promotores franceses do caso ainda pediram que seja aplicada uma considerável multa de 500 milhões de euros (aproximadamente R$ 3,15 bilhões) ao ex-dirigente de 87 anos por "infração enorme contra a honestidade que acabou provocando um prejuízo mundial".

Diack dirigiu a World Athletics entre 1999 e 2015. Também foi membro do COI (Comitê Olímpico Internacional). E está sendo julgado por corrupção em exames antidoping de atletas russos desde 2011.

A 32.ª sala do Tribunal Correccional de Paris julga o ex-dirigente senegalês por ter permitido atrasar os procedimentos disciplinares de atletas russos suspeitos de doping, sob o pagamento de propina vinda de Moscou. Ele também é acusado de ter ajudado seu filho, Papa Massata Diack, então chefe de marketing da entidade, a se apropriar de vários milhões de dólares em negociações com patrocinadores.

Peça-chave no caso, Papa Massata também será julgado pelos mesmos crimes do pai. A pena, pedida pelos promotores, porém, é de cinco anos de prisão, com o mesmo valor da multa.

"Sou inocente dos fatos e das acusações, não há provas tangíveis e irrefutáveis das quais eu possa ser atribuído a essas acusações. Recuso-me a comparecer nos tribunais franceses porque falta imparcialidade", disse, em entrevista coletiva de imprensa nesta segunda-feira, o filho de Lamine, que está extraditado do Senegal e será julgado à revelia.

Outras quatro pessoas serão julgadas e podem ser presas na investigação: o antigo chefe de controle antidoping da Iaaf, Gabriel Dollé, o advogado de Lamine Diack, Habid Cissé, o ex-presidente da Federal Nacional de Atletismo Russa, Valentin Balakhnichev, e o ex-treinador Alexeï Melnikov.

A chantagem sobre atletas russos para não suspendê-los por doping podem ter rendido mais de 3,4 bilhões de euros (R$ 21,37 bilhões) para Diack. O seu advogado, William Bourdon, pediu que o ex-dirigente senegalês não seja enviado à prisão e impedido de "morrer com dignidade, abraçados por seus familiares e deu povo, em sua terra natal".

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