Gustavo Scatena/Imagem Paulista/Divulgação
Gustavo Scatena/Imagem Paulista/Divulgação

Ex-cobrador de lotação, Serginho Moraes vê no UFC 147 a chance da vida

Lutador que mora na Cohab II, em Itaquera, encara Cezar Mutante e conta com a ajuda de Shogun

PAULO FAVERO, Jornal da Tarde

19 de junho de 2012 | 23h39

SÃO PAULO - Serginho Moraes terá a grande chance de sua vida no UFC 147, que será realizado no sábado, em Belo Horizonte. Morador da zona leste de São Paulo, ele ganhou a oportunidade de disputar um contrato com o evento por causa da lesão de Daniel Sarafian, que inicialmente faria o combate contra Cezar Mutante. Escalado para a segunda principal luta da noite, ele pretende mostrar o talento de seu jiu-jítsu, que já lhe garantiu três títulos mundiais da modalidade.

Morador da Cohab II, no bairro de Itaquera, Serginho já foi feirante e cobrador de lotação. Nascido em uma família humilde, ele sabe que a oportunidade está batendo à sua porta e que precisa aproveitá-la. “A gente treina para alcançar isso, mas não sabe quando vai chegar lá. Acho que é só a ponta do iceberg. Nada acontece por acaso”, diz o lutador, sempre sorridente.

Ao dar entrevista, entre uma resposta e outra Serginho sempre faz piada e acha graça. Sua presença no UFC e a fama repentina fizeram o reconhecimento extrapolar as fronteiras de seu bairro, principalmente quando tem de lidar com o caótico transporte público da cidade. “O reconhecimento é outro, eu tenho notado isso. Quando estou no busão ou no trem, as pessoas vêm conversar comigo.”

Até os 14 anos, Serginho praticava uma outra modalidade, ainda mais popular do que o MMA (artes marciais mistas): o futebol. Lateral promissor, chegou a atuar nas categorias de base do Corinthians, clube pelo qual torce, e também vestiu a camisa do time da Cohab. Só que ao ver as lutas de Royce Gracie, no início do UFC, ele se encantou e decidiu praticar o jiu-jítsu.

Com a rotina de treinamentos passando a ser cada vez mais dura, Serginho aos poucos foi deixando os estudos de lado. “Parei de estudar no primeiro colegial, sinto falta de ter terminado os estudos. Mas tenho doutorado na minha modalidade”, disse o lutador, que conta ter vivido muitas dificuldades, mas sem ter passado fome. “Nunca faltou comida na mesa. Meu pai era açougueiro e sempre tinha um bife.”

Sensibilizado pela vida e ciente da realidade difícil de muitos garotos da periferia, Serginho criou um projeto social para crianças na zona leste. Ele sabe que isso pode ser importante para que a criminalidade não ocupe um espaço maior ainda na região em que nasceu. “O esporte te tira de muita coisa. Até os 14 anos é de graça e a criança ganha um lanche no final. Muitos vêm para ter o que comer.”

Para se preparar melhor para o MMA, mesmo antes de saber que seria escalado para lutar no UFC 147, Serginho procurou um especialista da luta em pé para lhe ajudar em seu ponto fraco. “Eu fui para Curitiba treinar com o Maurício Shogun e com o professor André Dida, para pegar algumas técnicas.”

Além da vitória no combate de sábado, Serginho tem outro sonho: ver seu Corinthians com estádio próprio. Mas isso, como ele acompanha de perto, está próximo de se tornar realidade. “Já está grande, com certeza na Copa estarei lá. Está tendo um desenvolvimento muito grande na região e fica pertinho de casa.”

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