Ex-judoca, Arthur Nory disputa o primeiro Mundial de Ginástica

Inspirado por Daiane dos Santos e Diego Hypolito, ginasta mudou de esporte e disputa o individual geral na Antuérpia

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

28 Setembro 2013 | 16h57

SÃO PAULO - O mundo do esporte nunca foi uma novidade para Arthur Nory Mariano. Aos seis anos, ele começou nos tatames do Palmeiras, treinando judô. Mas em 2004, inspirado pelos resultados de Daiane dos Santos e Diego Hypolito, decidiu mudar de modalidade e escolheu treinar ginástica. Hoje, considerado uma das revelações da equipe masculina, o atleta de 20 anos estreará em Mundiais - a partir desta segunda-feira, ele disputa o individual geral na Antuérpia.

"Fiz judô durante seis anos, mas meio que empurrado, não gostava muito. Meu pai era judoca e queria que os filhos chegassem até a faixa preta", lembra o ginasta do Pinheiros. "Mas, do lado do judô, tinha a ginástica. Eu via, gostava, e decidi fazer. Meu negócio não era cair no tatame, era estar no ar, dando mortal."

Ainda como judoca - ele chegou à faixa laranja, prestes a trocar para a verde -, Nory procurou um clube da prefeitura de São Paulo, o Pelezão, na zona oeste. Foi com uma trave torta e num tatame improvisado que o garoto encontrou seu talento.

"Fiquei pouco tempo lá, o suficiente para aprender rolamento, dar estrelinha... Coisas bem básicas, mesmo." Em um pequena competição, Nory foi visto por um técnico do Pinheiros, que o convidou para um teste. Desde então, é atleta do clube. "Comecei na ginástica tarde, com 11 anos, e tive que ralar para acompanhar todo mundo."

Mas, de início, Nory não deixou o judô. "Em 2005, eu ainda treinava no Palmeiras. Ia para a escola de manhã, depois para o Pinheiros e saía correndo para o judô. Mas não dava para fazer dois esportes e querer ser profissional. Então escolhi a ginástica."

Nory se enquadra na categoria dos ginastas mais completos, já que sua prova principal é o individual geral, em que o atleta compete nos seis aparelhos - solo, salto, barra fixa, paralelas, argolas e cavalo com alças. Uma rotina ainda mais puxada que o habitual.

 

Estudante de Educação Física, Nory dedica sete horas de seu dia aos treinos. "É puxado, porque o treino é sempre em dois períodos, quatro horas de manhã no ginásio, depois mais duas, e uma hora na academia à tarde." Por ter que apresentar um rendimento equilibrado nas seis provas, o atleta aprende a ser rápido e eficiente.

Mas Nory tem suas preferências. "Sou melhor no solo e na barra fixa. Estou tentando focar mais nesses dois aparelhos e estou conseguindo me destacar, pegando finais." Na Universíade, disputada em agosto na cidade russa de Kazan, ele foi 4º na barra e 11º no individual geral. Em março, ganhou a prata no solo na etapa de Dubai da Copa do Mundo.

Para o seu Mundial de estreia, Nory espera ser finalista no individual geral - para isso, tem que ficar entre os 24 melhores da competição, cujas eliminatórias serão disputadas na segunda-feira. "Passando à final, quero ficar entre os 15 melhores."

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