Ex-pedreiro tenta ficar entre os 10 melhores

Único representante do Brasil no mountain bike nos Jogos de Londres, Rubens Donizete almeja marca histórica

ALESSANDRO LUCCHETTI, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2012 | 03h11

Um pão e um golinho de café. "Alimentado" dessa forma, Rubens Donizete, o Rubinho, iniciava seus treinos de mountain bike, de quatro horas de duração, subindo e descendo as montanhas de Monte Santo de Minas, de forma totalmente amadora. Mas o piloto mineiro sentiu que havia nascido mesmo para ser ciclista, e não pedreiro. Assim, em 2000, aos 20 anos, tomou uma decisão crucial em sua vida: abandonou o emprego numa olaria, apanhou os R$ 2,5 mil da rescisão contratual e os investiu integralmente numa nova bicicleta, mais competitiva.

Apenas no ano seguinte, Rubinho conseguiria seu primeiro patrocínio. Nessa época, ele começou a treinar sob a orientação do técnico Carlos Eduardo Polazzo Machado, o Cadu, que é mestre em fisiologia do Exercício e Treinamento Esportivo pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Com essa orientação, o atleta deslanchou.

"Quando comecei, minha meta era ser campeão brasileiro. Nunca imaginei participar de uma Olimpíada", disse Rubinho.

Em 2007, ele surpreendeu a si mesmo com a conquista da medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. No ano seguinte, conseguiu vaga para disputar os Jogos Olímpicos de Pequim. Alcançou a 21ª colocação, o que já significou a melhor participação de um brasileiro na história, que é curta. A modalidade foi introduzida no programa oficial em 1996.

Técnica de primeira

As condições em que se preparou ficaram bem longe das melhores. O ciclista chegou a Pequim a apenas quatro dias de sua participação.

Em Londres, aos 33 anos, Rubinho acha que pode alcançar resultado bem melhor. "A grande meta é ser top 10. Coloquei um papelzinho na bicicleta em que escrevi 'top 10'".

O mineiro acredita nessa possibilidade porque conseguiu ficar em décimo no evento-teste, que foi disputado no mesmo circuito que será utilizado na Olimpíada, na fazenda Hadleigh, na zona rural de Essex.

Rubinho é considerado um piloto extremamente técnico, mas lhe falta potência física. "A pilotagem do Rubinho está no mesmo nível dos melhores mountain bikers do mundo, os suíços e franceses", elogia Cadu.

Um dos grandes trunfos do atleta é a dedicação. "Em 11 anos em que trabalhamos juntos, o Rubinho nunca faltou a um treino. Já foi treinar com a clavícula quebrada, numa tipoia, mas foi", diz Cadu.

Treinando seriamente e cumprindo uma dieta extremamente rígida, ele espera desafiar o tempo para poder competir nos Jogos do Rio, em 2016. Antes disso, no entanto, a grande dificuldade será obter a vaga olímpica, pois a modalidade está se popularizando e seu nível no Brasil cresce.

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