Ex-rejeitados lideram Seahawks e Patriots na decisão em Glendale

Enquanto Russel Wilson tenta levar o time de Seattle ao bi da NFL, Tom Brady luta para ser campeão pela quarta vez na carreira

Renan Fernandes, O Estado de S. Paulo

31 de janeiro de 2015 | 17h00

O título do Super Bowl XLIX, que será decidido entre New England Patriots e Seattle Seahawks, terá um sabor especial para os cérebros das duas equipes, Tom Brady e Russell Wilson. Apesar de pertencerem a gerações diferentes, os dois quarterbacks têm uma história de rejeição em comum: ambos foram renegados na noite do Draft, o processo de recrutamento de jogadores universitários para as equipes profissionais dos Estados Unidos.

A grande final da NFL ocorre pela segunda vez no estádio Universidade de Phoenix, na cidade de Glendale no Arizona, às 21h30 (horário de Brasília). Em 2008, o New York Giants conquistou o troféu Vince Lombardi contra os Patriots. Casado com a modelo brasileira Gisele Bündchen, Brady tem uma carreira consolidada na NFL, sendo por duas vezes apontado como melhor jogador, em 2007 e 2010. Em busca de igualar as quatro conquistas de Joe Montana e Terry Bradshaw, recordistas com mais anéis de campeão, o camisa 12 dos Patriots era considerado muito lento e foi apenas a 199ª escolha no Draft de 2000.

Wilson não caiu tanto, foi a 75ª escolha na seleção de 2012. Por ser muito baixo (1,80 cm), acabou vendo seus concorrentes de posição Andrew Luck, Robert Griffin III, Ryan Tannehill, Brandon Weeden e Brock Osweiler serem selecionados antes. Apenas três ano depois, o quarterback dos Seahawks busca o bicampeonato. Se conseguir, terá em seu currículo vitórias em decisões contra Peyton Manning e Tom Brady, apontados como os melhores da história.

CAMINHO PERCORRIDO

Primeira equipe a disputar o Super Bowl por dois anos seguidos, desde os próprios Patriots em 2004 e 2005, o time de Seattle fez uma verdadeira revolução em seu elenco em relação à última temporada. Além de negociar Breno Giacomini, filho de brasileiros nascido nos EUA, outras peças ofensivas como Percy Harvin e Golden Tate deixaram o time para dar harmonia ao vestiário.

Apesar das mudanças, o time de Pete Carroll manteve duas características intactas. O jogo corrido, com Marshall Lynch, e o a forte defesa apelidada de Legion of Boom (Legião da Explosão, em tradução livre) formada por Richard Sherman, Earl Thomas, Byron Maxwell e Kam Chancellor. O nome é uma brincadeira com a Legion of Doom (Legião do Mal), grupo de vilões das histórias em quadrinhos da DC Comics.

Foi com esta base que os Seahawks venceu a Divisão Oeste da NFC, com 12 vitórias e quatro derrotas na temporada regular. O título da Conferência Nacional veio depois de uma virada impressionante contra o Green Bay Packers, que esteve por duas vezes com 16 pontos de vantagem no marcador.

Para a final, Carroll não escondeu sua grande preocupação com Rob Gronkowski. "Ele realmente tem todos os elementos que você está procurando para um tight end. É um cara esperto. Eu estava estudando uma maneira de atrasá-lo."

Depois de passar por cirurgias no antebraço, nas costas e no joelho nos últimos dois anos, Gronkowski apresentando-se saudável é motivo de comemoração por parte dos torcedores dos Patriots. Ao lado de LeGarrette Blount, Rob é o principal nome ofensivo da franquia de Massachusetts.

Na defesa do experiente treinador Bill Belichick, destaque para Chandler Jones, irmão mais novo de Jon Jones, campeão dos meio-pesados do UFC, e para Brandon Browner, membro da formação original da Legion of Boom. O cornerback disse que não vai poupar seus antigos companheiros Sherman e Thomas, que estão machucados. "No final da partida contra os Packers, Sherman estava segurando o braço como se estivesse com uma tipoia. Vou dizer aos meus companheiros: acerte aquele cotovelo. Bata naquele ombro. Tente quebrá-lo se você conseguir."

Para chegar à decisão, os Patriots deixaram para trás muitos obstáculos. Até a quarta semana da temporada regular, a equipe tinha campanha de duas vitórias e duas derrotas. O mau desempenho fez a torcida e parte da imprensa duvidar se Brady ainda tinha lenha para queimar na NFL. A resposta foi dada com vitória atrás de vitória e a conquista da Divisão Leste da AFC: 12 vitórias e quatro derrotas.

Na pós-temporada, triunfo apertado contra o Baltimore Ravens, no Gillette Stadium, e uma lavada na final da Conferência Americana sobre os Colts: 45 a 7.

BOLA MURCHA

Após a vitória sobre os Colts, os Patriots passaram a ser investigados pela NFL por utilizarem bolas com duas libras a menos que o normal. Esta alteração de 16 % na pressão aumenta a aderência da bola, principalmente em uma dia com chuva, como aconteceu na cidade de Foxborough.

Bill Belichick negou em coletiva de imprensa que ele ou Tom Brady tenham feito qualquer tipo de trapaça. "Depois que entregamos a bola para os juízes só tocamos nelas para jogar, nada mais". Brady até revelou que prefere jogar com bolas um pouco mais vazias, mas reforçou sua inocência.

"Eu jamais quebraria as regras. Eu também tenho dúvidas e também não sei quem poderia responder sobre o que aconteceu. A equipe que cuida do equipamento disse que ninguém mexeu em nada e eu acredito neles."

O polêmico Richard Sherman não acredita em qualquer tipo de punição para os Patriots. "Não espero nada enquanto Roger Goodell (comissário da NFL) e Robert Kraft (dono dos Patriots) tirem fotos juntos em sua respectivas casas. Estou falando de conflito de interesse". A declaração veio depois que vazaram imagens dos dois dirigentes confraternizando na internet.

A NFL já antecipou que uma equipe independente será responsável por verificar a conformidade das bolas e por selecionar a equipe de gandulas do Super Bowl.

*AS REGRAS DO JOGO

TEMPO

A partida tem a duração de 60 minutos e é dividida em duas metades separadas por um intervalo. Cada metade consiste em dois quartos com a duração de 15 minutos cada.

MEDIDAS

O campo de jogo é um retângulo com 120 jardas (109,73m) de comprimento por 53 jardas (48,76m) de largura.

PASSES

Em cada descida (ataque), a bola só pode ser lançada uma única vez para frente. Depois, só são permitidos passes para trás, mas eles são raros.

AVANÇO

A cada posse de bola, uma equipe tem quatro chances para avançar dez jardas (9,1m) e, assim, ir progredindo no campo até chegar à zona de finalização (endzone, pedaço do campo com dez jardas de comprimento onde ficam as traves), lugar em que é feito o touchdown, principal objetivo do ataque. Se não conseguir avançar dez jardas nas quatro tentativas, a equipe tem de ceder a posse da bola ao adversário.

TOUCHDOWN

É conquistado quando um jogador tem a posse legal da bola dentro da zona de finalização. A equipe que conquista o touchdown marca seis pontos.

MAIS PONTOS

Após o touchdown, a equipe tem duas opções: o ponto extra, em que um jogador precisa acertar a bola entre as traves verticais, localizadas na zona de finalização, ou uma conversão de dois pontos, que é obtida da mesma forma que o touchdown.

FIELD GOAL

Caso a equipe não consiga o touchdown, pode optar por tentar um field goal, que também consiste em chutar a bola por entre as traves verticais, valendo três pontos. Outra possibilidade de pontuar é derrubando um jogador que está com a bola dentro de sua própria zona de finalização. Essa jogada, que vale dois pontos, chama-se safety.

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