Arquivo/AFP
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Ex-vice do comitê olímpico dos EUA diz ter sido demitido por denunciar abusos

Médico William Moreau alega sofrer represálias por apontar falhas na organização ao proteger seus atletas

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2020 | 07h14

O médico americano William Moreau, que até maio era vice-presidente de medicina esportiva do comitê olímpico de seu país (USOC), afirmou que foi demitido da organização em represália por seus questionamentos pela gestão dos casos de abuso sexual e saúde mental dos atletas.

"Francamente, o que realmente me preocupa é: o que acontece se outra criança for estuprada e eu não disser alguma coisa? O que acontece se outro atleta se suicida e eu não disser alguma coisa? Alguém tem que chamar a atenção do USOC para começar a escutar", disse Moreau em entrevista à ESPN.

The Denver Post, ESPN e USA Today afirmaram nesta quinta-feira que Moreau apresentou um processo contra o USOC no Tribunal do Distrito de Denver alegando que sua demissão, em maio passado, depois de 10 anos na entidade, obedece a uma represália porque fez recomendações internas e apresentou queixas sobre o fracasso da organização para proteger os atletas ao longo dos anos.

O processo ocorre cinco meses antes dos Jogos Olímpicos Tóquio-2020, em um contexto em que o Departamento de Justiça americano e o Congresso investigam diversas acusações contra o USOC, como o escândalo de abuso sexual do médico Larry Nassar, sentenciado em 2018 a 40 a 125 anos de prisão por abusar de ginastas.

No começo de 2012, Moreau tinha feito recomendações ao USOC de que médicos como Larry Nassar não deveriam encontrar atletas sozinhas. Nassar foi condeno por abusar de 332 mulheres ao longo de sua trajetória como médico esportivo na ginástica.

"De alguma forma, sinto que tenho que dar voz aos atletas que foram estuprados, os atletas que estão sofrendo, os atletas que não recebem a atenção que precisam", disse Moreau ao Post.

"Espero que, ao lançar luz sobre isto, talvez as pessoas comecem a prestar atenção", acrescentou.

Já o Comitê Olímpico americano disse ao Post em nota que não foi notificado do processo. "Lamentamos que o doutor Moreau e seu advogado tenha deturpado as causas de sua separação do USOC", disse Luella Chávez D'Angelo, diretora de comunicação e marketing do Comitê Olímpico dos Estados Unidos./AFP

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