Exames antidoping devem atingir 5 mil, recorde olímpico

O COI vai adotar ainda uma medida nova: se algum atleta de esporte coletivo for flagrado, outros farão o teste

SÍLVIO BARSETTI / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h07

RIO - Os Jogos de Londres vão marcar um recorde no número de exames antidoping em olimpíadas: serão cerca de 5 mil, quase 10% a mais do total (4.510) realizado nos Jogos de Pequim, em 2008. Eduardo Henrique De Rose, membro da comissão médica do Comitê Olímpico Internacional (COI) desde 1984 e responsável pela área de antidoping do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), disse ontem que esse número vai crescer ainda mais nos Jogos do Rio, em 2016.

"A previsão é que no Rio sejam feitos 5.500 exames, incluindo os de urina e sangue", disse o médico, durante encontro com jornalistas, ontem, na sede do COB.

De Rose contou também que o COI decidiu adotar uma medida nova em Londres. Se algum atleta de esporte coletivo for flagrado no doping, outros da mesma equipe terão de fazer o exame. Caso haja a comprovação de que pelo menos três do grupo usaram substâncias proibidas, a equipe será imediatamente eliminada da competição.

Se isso ocorrer com atletas em disputas individuais, os exames podem ser extensivos a outros da mesma modalidade e nacionalidade.

O médico deu detalhes da estrutura antidoping da Olimpíada de Londres. Os exames serão realizados no laboratório Glaxo Smithkline, que fica a 45 minutos do Parque Olímpico. Cento e cinquenta cientistas de vários países vão participar diretamente das atividades do laboratório, credenciado pela Wada (Agência Mundial de Controle de Doping).

A estrutura preparada na capital inglesa vai permitir que até 400 controles sejam feitos diariamente, durante o período dos Jogos - entre 27 de julho e 14 de agosto. Na verdade, segundo explicou De Rose, a partir do dia 26 de julho, quando a Vila Olímpica será aberta para os atletas, os testes para detectar doping já poderão ser feitos.

Obrigatoriamente, todos os medalhistas são submetidos aos exames. Outros atletas são escolhidos para o teste a partir de alguma informação preliminar, suspeita pela performance e também por decisões aleatórias.

Os exames de sangue vão ser feitos com mais frequência em Londres, reforçando tendência que pôde ser vista nos Jogos de Pequim - dos 4.510 controles daquela olimpíada, 3.801 foram com urina e 969 com sangue.

Isso porque algumas substâncias impróprias para os atletas não são detectadas no exame de urina. O COI trabalha com a possibilidade de flagrar 23 atletas em Londres com doping. O comitê acredita que esse número não seja inferior a 13 nem superior a 33, com base na média de casos verificados nas últimas edições das olimpíadas.

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