Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Exclusivo: Mais popular que o futebol

Dono do evento tem projetos ambiciosos e pensa em fazer das lutas o maior esporte do mundo. Interesse não falta

Bruno Lousada e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2011 | 00h00

RIO - O projeto de Dana White, o presidente do UFC (Ultimate Fighting Championship), é mais ambicioso do que parece. Depois de comprar a marca em 2001 por US$ 2 milhões (R$ 3,22 milhões) e em poucos anos transformar o MMA (Artes Marciais Mistas) em uma indústria bilionária, ele quer fazer do esporte o mais popular do planeta. E fala isso com convicção. "Eu investi para o esporte crescer no mundo. Fiz isso durante os últimos dez anos. Tivemos muitas ofertas, mas o UFC não está à venda. Vai crescer muito mais e será maior que o futebol no mundo", disse, em entrevista exclusiva ao Estado. "As pessoas adoram as lutas. Isso está dentro do nosso DNA."

Ele pretende se apropriar dos novos mercados e expandir as fronteiras do UFC para diversas partes do mundo. "Já fomos para a Alemanha, Reino Unido, Austrália e Oriente Médio, entre outros. E agora vamos fazer mais eventos no Brasil, e ir para a China, Índia e Coreia", avisa.

Esta é a quarta vez que ele vem ao País e já se sente em casa. Ainda mais pelo interesse das cidades em receber uma futura edição do UFC. "Várias já me procuraram, como o próprio Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus, Salvador e Curitiba. Mas essa ainda é uma questão que vamos resolver."

No caso do Brasil, a grande quantidade de bons lutadores facilita a montagem de uma programação forte de combates. E no mercado asiático ele também acha possível que a empreitada faça sucesso. "A China possui bons lutadores, a Coreia também. Só na Índia que precisamos ver melhor."

Atualmente, ele possui 350 lutadores que têm contrato de exclusividade com o UFC e garante que é muito bom o que se paga por cada luta. "Pode ver que o Anderson Silva está rico", brinca, aproveitando para elogiar o brasileiro. "Ele é o melhor, tenho muito respeito por ele."

Dana White, inclusive, coloca as duas últimas lutas de Anderson, contra o brasileiro Vitor Belfort e o norte-americano Chael Sonnen, como as mais impressionantes que já viu. Para ele, o MMA tornou-se um esporte menos violento. "É um esporte de contato e quando não tinha regras muita gente tinha problemas mais sérios. Agora é um esporte seguro e nunca houve um ferimento grave ou uma morte", explica.

Estrategicamente, Dana promoveu na principal luta do noite de amanhã, na HSBC Arena, no UFC Rio, o duelo entre Anderson e o japonês Yushin Okami, justamente o último lutador a vencer o brasileiro, em janeiro de 2006.

Mas o clima de revanche ficou em segundo plano. Anderson preferiu não entrar em polêmicas com o adversário, ao contrário do que ocorreu em seus combates anteriores. "Até agora houve respeito mútuo entre mim e o Okami. Aprendi em casa que quando sou respeitado, eu respeito", disse o lutador, que negou o rótulo de ídolo. "Estou longe de ser um superstar. Não tem como me comparar a Ayrton Senna ou Pelé."

A expectativa para o UFC Rio é grande e o próprio Dana White esfrega as mãos ao ver o sucesso da empreitada, que teve seus 14 mil ingressos esgotados em menos de meia hora.

"Pelo que eu vi, será um evento muito bom. A energia das pessoas é grande e assistir ao evento ao vivo é mil vezes melhor do que pela televisão."

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