Andre Dusek/AE
Andre Dusek/AE

Executivo que negociou direitos era da ISL

Homem que fechou o acordo para dar à ISE direitos sobre a seleção foi de empresa que pagou subornos a Teixeira

JAMIL CHADE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2012 | 03h07

O executivo que fechou o contrato com Ricardo Teixeira para dar à empresa saudita ISE os direitos sobre a seleção brasileira até 2022 já era um velho conhecido do cartola brasileiro: Dirk Hollstein havia sido funcionário da ISL, a companhia que ganhou notoriedade mundial ao ser condenada por pagar subornos justamente a Teixeira durante os anos 90.

Quatro meses antes de deixar a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Teixeira negociou um contrato com a ISE, dando o direito de organizar os amistosos da seleção por dez anos. No acordo, porém, a CBF receberia 15% a menos que o valor do contrato anterior, de 2006 com a suíça Kentaro. O que causou polêmica é que a dedução no valor ocorre mesmo diante de um mercado do futebol em plena expansão. O contrato, na verdade, congela a renda da CBF por uma década.

Agora, fontes próximas à negociação revelam ao Estado que Teixeira negociou o acordo que se transformou em motivo de polêmica com Dirk Hollstein, que atuava em nome da ISE. Hollstein tem seu escritório na cidade alemã de Dusseldorf e é um dos principais acionistas da empresa que controla a ISE, a poderosa WSG, com sede em Cingapura.

Se o acordo é novo, Hollstein é um velho conhecido de Teixeira. Ele havia sido funcionário da ISL, empresa que negociava o direito de tevê das Copas do Mundo em nome da Fifa e que acabou falindo em 2001. Pelas investigações realizadas pela Justiça suíça, a ISL funcionou como um caixa dois da entidade, realizando pagamentos que não poderiam aparecer nos balanços da Fifa. Entre esses pagamentos estavam justamente as propinas a Teixeira e ao ex-presidente da Fifa, João Havelange.

O acordo com Hollstein, segundo pessoas que participaram da negociação, foi fechado em Doha em novembro de 2011, dias antes do jogo entre Brasil e Egito na mesma cidade.

Segundo a fonte, Hollstein e todos os demais executivos já sabiam na ocasião que o cartola brasileiro estava preparando sua saída da CBF e, mesmo assim, fecharam um acordo de uma década. A ISE, com sede na Arábia Saudita, não respondeu aos pedidos de entrevista feitos pela reportagem, mas pessoas próximas à empresa árabe confirmaram que Hollstein e Teixeira mantinham uma relação muito próxima. O executivo ainda havia sido o gerente geral da rede árabe ART e negociou sua venda por US$ 2 bilhões para a Al Jazera, empresa do Catar.

No sábado, o Estado revelou que a ISE é suspeita de ter pago, em uma operação de lavagem de dinheiro, US$ 14 milhões ao cartola do Catar Mohamed Bin Hammam, ex-candidato para a presidência da Fifa e que foi suspenso do futebol por denúncias de que tentou comprar votos.

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