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Meta da seleção masculina de handebol é superar a 13ª colocação obtida há dois anos, na Espanha Divulgação

Êxito feminino no handebol aumenta pressão no masculino

Após um modesto 13º lugar na Espanha, seleção de Jordi Ribera inicia a busca por uma boa colocação no Mundial do Catar

VÍTOR MARQUES, O ESTADO DE S. PAULO

15 de janeiro de 2015 | 07h00

Em 2013, pela primeira vez na história, a seleção brasileira feminina de handebol conquistou o título de campeã do mundo. No mesmo ano, a seleção masculina  também alcançou aquela que é sua melhor colocação em mundiais. Foi um modesto 13º lugar.

“As realidades do masculino e do feminino são diferentes, não só aqui, mas em muitos lugares”, pondera o técnico do time masculino do Brasil, Jordi Ribera, que é espanhol. “Nós sabemos que temos mais cobranças, está claro que dá uma exigência maior.” 

Superar a 13ª colocação obtida há dois anos, na Espanha, é o objetivo que a seleção masculina persegue no Mundial do Catar, que começa nesta quinta-feira (15), em Doha. O Brasil estreia contra os donos da casa (15h30, horário de Brasília). 



Ribera falou com o Estado antes de a seleção deixar o País para ir ao Mundial do Catar. Ele falou sobre seus planos para a seleção masculina a curto prazo, disputar uma boa Olimpíada no Rio, e a longo prazo, formar talentos, um trabalho ao qual ele se dedica com afinco.


Segundo Ribera, já houve progresso entre sua primeira passagem pela seleção, de 2004 e 2008, e a atual, que começou em 2012. “Evoluímos. O perfil do jogador melhorou, temos jogadores mais altos, com mais formação, jogadores mais completos do que tínhamos." 


É consenso, porém, que o handebol masculino ainda tem um longo caminho a percorrer para alcançar o êxito feminino. O Mundial do Catar é um passo, como serão também os Jogos Pan-Americanos  deste ano, em Toronto, no Canadá, e, claro, a Olimpíada do Rio, em 2016.


“É cedo esperar que a Olimpíada seja o ponto mais alto dessa preparação. Temos de um dar passo mais à frente”, afirmou. Ribera conhece bem a realidade do handebol disputado no País. Ele foi técnico da seleção entre 2004 e 2008, até a Olimpíada de Pequim. Quatro anos depois, reassumiu o cargo após o Brasil ficar sem vaga nos Jogos de Londres.


“Quando voltei o projeto era renovar a seleção, com a Olimpíada do Rio como objetivo. Terminando a Olimpíada isso continua. Nosso projeto não engloba só os adultos (a seleção principal), esse é um erro que geralmente se comete.”


O apartamento que Jordi vive, num bairro de classe média em Santo André, é um home office. Decoram a casa livros, pastas, apostilas sobre handebol e um enorme mapa do Brasil, cravejado de lembretes. São os lugares que ele visitou e onde existem o trabalho nas categorias de base, a busca por novos talentos.


 Acampamento Nacional de Desenvolvimento e Melhoria Técnica é o nome do projeto de formação de atletas que depende de verbas do Ministério do Esporte. Um acampamento pode receber mais de 100 garotos para treinamentos e atividades como palestras com o próprio Jordi e com atletas da seleção masculina que passaram por esse estágio.


O ponta-esquerda Arthur Patrianova, 22 anos, natural de Itajaí (SC), é um dos jogadores mais novos da seleção brasileira que vai ao Mundial da Qatar e que simboliza a renovação do time.


"Patrianova, Valadão, Lucas, uma série de jogadores começou mudar um pouco a fisionomia da seleção, mas também temos jogadores experientes, sem eles isso não seria possível", diz Jordi.


Um exemplo é o armador Fernando Pacheco, o Zeba, 31 anos, quase dez deles na seleção brasileira. Um dos mais experientes do time, ele foi o artilheiro do Brasil no Mundial da Espanha.


Dos 17 atletas convocados por Ribera, oito jogam em clubes brasileiros - seis deles no Taubaté, atual bicampeão da liga nacional. Os outros dois vêm do Pinheiros. Na preparação para o Mundial, o Brasil disputou um torneio amistoso no Egito. A seleção brasileira perdeu dois jogos equilibrados para os donos da casa e venceu a Arábia Saudita.

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'Podemos ir mais à frente no Mundial', afirma Ribera

Técnico espanhol da seleção masculina de handebol fala sobre as chances do Brasil no Mundial do Catar; objetivo é chegar às quartas

VÍTOR MARQUES, O ESTADO DE S. PAULO

15 de janeiro de 2015 | 07h00

O técnico da seleção brasileira masculina de handebol, o espanhol Jordi Ribera, reassumiu o cargo em 2012. Uma de suas missões era renovar a equipe e iniciar uma primeira fase de um projeto que culmina na Olimpíada de 2016. Nesta entrevista ao Estado, ele fala sobras as chances do Brasil na competição que começa nesta quinta-feira em Doha, no Catar. Sua meta é que o Brasil avance às quartas de final, superando último Mundial, na Espanha, em 2013.

O grupo do Brasil, o A, pode ser considerado difícil?

Normalmente todos os grupos têm as suas dificuldades. Se tivéssemos caído no Grupo D seria difícil. Mas no Mundial da Espanha (2013) caímos num grupo difícil, que foi chamado de grupo da morte, mas nos saímos bem. Ficarmos em terceiro (do grupo) e foi um bom mundial.

O que espera do jogo da estreia?

Temos a dificuldade de jogar contra a equipe da casa, que é o Catar. Se jogássemos  contra o Catar em outro lugar teria outra dificuldade. O Catar nacionalizou muitos jogadores estrangeiros. Não será uma equipe muito representativa do Catar, mas eles têm um poder econômico enorme. Vai ser um jogo difícil. É uma equipe que vai brigar pelos menos objetivos que queremos.

Qual é o objetivo da seleção brasileira no Mundial?

Sonhamos em dar um passo à frente do Mundial da Espanha. O primeiro objetivo é a classificação. E temos de pensar que não é a mesma coisa classificar em terceiro ou em quarto. Em quarto, você enfrenta o primeiro do outro grupo. Teoricamente será a Croácia. Se você termina em terceiro, poderemos ter um rival mais equiparado. Podemos ir mais à frente no Mundial.

Quais são as seleções favoritas ao título?

França, Dinamarca, Croácia e Espanha. São as seleções que vêm chegando às finais.

A Olimpíada do Rio é o ponto do seu trabalho?

Quatro anos é um bom tempo, mas precisa de mais tempo. Demos passos importantes, mas se pensarmos que o objetivo na Olimpíada é medalha, por exemplo, é um objetivo muito alto, na comparação com o feminino, que iniciou um projeto muito antes.

A base do grupo que você levou ao Mundial será a base da Olimpíada?

Seguramente, podendo ter algumas mudanças. Falamos de ter um grupo de 20, 22 jogadores, não podemos trabalhar só com 16, porque na hora, dois, três jogadores podem se machucar. Precisamos de um grupo mais amplo, até porque, quando terminar a Olimpíada, o projeto tem de continuar.

O que o êxito da seleção feminina (campeã do mundo em 2013) influencia para o esporte e para a seleção masculina?

Para a modalidade, o handebol, a conquista foi muito importante, estamos em um país que é importante ser campeão, ganhar. Isso significou muito para a modalidade. Para nós, sabemos que temos mais cobranças, está claro que é há uma exigência maior. Mas temos que saber que são realidades diferentes a do feminino e a do masculino, aqui, como em outros países também.

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