Expectativa, frustração, tristeza. E, enfim, festa

Mano Menezes acordou na expectativa de ser anunciado como técnico da seleção brasileira. Apesar de ainda não ter recebido convite da CBF, não escondia que vinha lendo, ouvindo e vendo tudo a respeito de sua possível contratação para a vaga de Dunga. Há dois anos, ele iniciou um curso de inglês para não ser surpreendido quando uma "grande chance na carreira surgisse". Previa ir para a Europa. Viu, de casa, Muricy Ramalho ser o preferido da CBF.

Fábio Hecico, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2010 | 00h00

À tarde, num treino mudado de horário já estrategicamente para a possível convocação, não conseguia esconder seu abatimento por não ter sido o escolhido. O técnico corintiano até se esforçou, mas não conseguiu esconder a tristeza. Nos 58 minutos em que esteve no campo do Parque São Jorge, por muitas vezes apareceu sozinho, com braços para trás, semblante sério. Um aperto de mãos e outro abraço tímido de Ronaldo tentaram consolá-lo. Acostumado a gritar e gesticular bastante com o time, Mano preferiu o isolamento. Apesar de ainda ter a esperança de ser chamado por causa da recusa do Fluminense em liberar Muricy, ele preferiu mudar o foco: "Só penso no Corinthians."

"Não penso em seleção. Não durmo e não acordo pensando nisso. Penso no clube, em fazer bem o meu trabalho aqui. Agora, tenho de armar bem a equipe para encarar o Guarani", chegou a afirmar, visivelmente abalado.

Mano só soube no fim do treino que o Flu não liberaria Muricy. Mas não sabia o que fazer. Por 10 minutos, conversou com a assessoria de imprensa do clube para definir se encararia, ou não, o grande número de repórteres à sua espera. Problema na voz, após gritos em Goiânia, seria a saída para não ter de comentar o assunto. Resolveu encarar.

Acostumado a rir e a dar respostas descontraídas, o treinador foi mais contido ontem. Espantou-se apenas com o número de pessoas no Parque. Falou, mesmo contrariado sobre a seleção. Foram 20 minutos de respostas e um doloroso tchau que viraria festa no início da noite.

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