Jonne Roriz/Exemplus/COB
Jonne Roriz/Exemplus/COB

Experiência na Rio-2016 é trunfo de Bruna Takahashi para os Jogos da Juventude

Mesa-tenista brasileira vai usar o ensinamento que teve em 2016 para lutar por medalha agora em Buenos Aires

Paulo Favero, enviado especial / Buenos Aires, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2018 | 17h00

Aos 18 anos, Bruna Takahashi fará história neste domingo, quando entrar em ação nos Jogos da Juventude. Será a primeira brasileira que disputa a competição tendo no currículo uma participação olímpica – ela esteve nos Jogos do Rio. A atleta do tênis de mesa vai enfrentar Hui Ling Vong, da Nova Zelândia, às 16h.

“Eu sei que é um campeonato bem difícil, bem grande. Como disputei a Olimpíada no Rio, então sei como funciona. Mesmo que não sejam as mesmas garotas. As meninas que vou enfrentar agora são da minha idade, então me sinto confiante para impor meu jogo e tentar conseguir um bom resultado”, disse em entrevista ao Estado.

A nadadora Ruta Meilutyte talvez seja o exemplo mais emblemático de precocidade nos Jogos da Juventude. Quando ganhou sua medalha de ouro nas provas de 50m e de 100m peito, em Nanquim-2014, ela já tinha o título de campeã olímpica nos Jogos de Londres nos 100m peito. Mas fenômenos como esses são raros.

Em Buenos Aires, por exemplo, outro mesa-tenista também está traçando a mesma trajetória da brasileira. É o norte-americano Kanak Jha, que competiu nos Jogos do Rio e está agora em Buenos Aires. Ele vai enfrentar o austríaco Maciej Kolodziejczyk. Essa façanha é para poucos e Bruna Takahashi é a primeira brasileira a entrar para este seleto grupo.

Ela começou sua trajetória com a raquete bem cedo e foi obtendo resultados desde pequena. Atual número 1 do Brasil, ela ocupa a 73.ª posição no ranking mundial e espera repetir o ótimo desempenho de Hugo Calderano, que nos Jogos Olímpicos da Juventude em Nanquim conquistou a medalha de bronze.

“Eu gostaria de fazer minha história assim como o Calderano fez. Ele foi bronze e ficou conhecido por isso. Eu consegui bastante resultado desde cedo, meus três técnicos ajudam a montar meu calendário, planejam bem minha agenda e por isso nunca estou parada. Isso é super importante”, afirmou.

Agora maior de idade, Bruna já não precisa mais de ajuda da família para viajar para as competições. Ela conta que sempre teve o apoio e tudo que foi preciso eles fizeram por ela. “Me ajudavam a tirar visto, davam autorização, quando estava fora mandavam documentos. Esse apoio da família foi muito importante na minha carreira.”

Em uma disputa internacional deste porte, ainda mais no tênis de mesa, obviamente que os atletas da China são favoritos, até pela hegemonia que possuem na modalidade. Bruna sabe o desafio que é enfrentar uma chinesa, mas sabe que terá de ir bem se quiser subir ao pódio. “Eu já joguei com chinesas e encaro de igual para igual. Mesmo que não ganhe, vou para tentar trazer dificuldade para elas. Meu planejamento é ganhar uma medalha para o Brasil”, avisou.

DESAFIO

Quem também busca inspiração em Hugo Calderano é Guilherme Teodoro, de 17 anos e que terá partidas duras nos Jogos da Juventude. Se sua estreia é neste domingo contra Rohit Pagarani, de Belize, às 10h, é na segunda rodada que ele vai encarar o japonês Tomokazu Harimoto, também neste domingo, às 17h30.

O adversário de apenas 15 anos é um fenômeno do tênis de mesa e sensação na temporada. “Ele já jogou o Pro Tour adulto, um feito histórico para ele, e esse ano derrotou o campeão olímpico. Jogar a mesma competição que ele já vale a pena. Quero jogar de igual para igual e dar o meu melhor”, comentou o brasileiro, que treina e mora na Alemanha.

“Estou bem ansioso, mas me preparei bem e espero conquistar uma medalha para o Brasil. Contra atletas chineses eu nunca joguei, mas contra japonês joguei na Europa. Eles já nascem com a bolinha na mão, é um nível acima, mas o Calderano foi bronze nos Jogos da Juventude e eu posso igualar o feito dele. Ninguém no Brasil tinha chegado ao top 40, ele atualmente é top 10, então serve de inspiração para todos nós no tênis de mesa e no esporte em geral.”

Além dos dois representantes no tênis de mesa, o Brasil inicia o primeiro dia de competição dos Jogos da Juventude com atletas em: badminton, ciclismo BMX, ginástica artística, judô, natação, remo, tênis, triatlo, vela e vôlei de praia.

 

 

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Marcio Dolzan, Rio, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2018 | 17h09

Uma das potências do futsal mundial, o Brasil disputará a modalidade que estreia nos Jogos Olímpicos da Juventude com dois objetivos: ficar no lugar mais alto do pódio e ajudar a fazer do torneio uma vitrine para que o esporte, enfim, entre no programa olímpico adulto.

A modalidade não estará na Olimpíada de Tóquio, em 2020, mas o fato de ser colocada nos Jogos da Juventude – entrou na vaga do futebol de campo – é visto como um sinal de que o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a Fifa começam a olhar o futsal com outros olhos.

“Não tenho dúvida de que é um pontapé inicial”, afirma José Alexandre Cardoso, o Barata, chefe da equipe brasileira de futsal nos Jogos de Buenos Aires. “Há um apelo grande na modalidade, e vão aproveitar este evento para experimentar, saber o tamanho da adesão, do apelo do público e da parte técnica.”

A competição na Argentina será disputada por dez equipes, que foram divididas em duas chaves. O Brasil está no Grupo B, ao lado de Irã, Ilhas Salomão, Costa Rica e Rússia. Na Chave A estão Argentina, Egito, Panamá, Iraque e Eslováquia.

Por ser uma disputa entre seleções de base – os jogadores têm entre 15 e 18 anos apenas –, é difícil apontar quem são os favoritos em função de ser muito raro confrontos entre países de diferentes continentes.

“Temos uma ideia de como os rivais jogam. A gente faz um exercício de pensamento a partir das seleções adultas, mas é preciso fazer um adendo: nas equipes europeias, principalmente, têm muita inclusão de brasileiros. Na base não tem, são nacionais puros”, diz o técnico da seleção, Daniel Júnior.

O técnico diz que o Brasil precisa mirar uma medalha. “Como Brasil, a gente tem necessidade de estar no pódio”, pondera. “É a primeira vez do futsal brasileiro na competição. Ficamos um pouco sem ter como mensurar tudo, mas não podemos fugir da responsabilidade de que temos o melhor futsal do mundo.” O Brasil foi campeão mundial em 2012.

TIME

A organização permitiu a convocação de apenas dez atletas, quando em geral os técnicos trabalham com um grupo de 14. Em função disso, Daniel Júnior teve de se adaptar à escolha dos meninos.

“Nossa ideia foi trazer jogadores que fazem mais de uma função, para poder variar os quartetos. Trouxemos um beque que joga também de ala, um pivô que atua de ala, para fazer os quartetos mais versáteis”, diz.

A seleção é formada por jogadores do Minas Tênis Clube, Corinthians, Pulo do Gato (SP) e do Palmeiras. E os atletas estão confiantes. “É um campeonato que nem o Falcão (ala do Magnus/Sorocaba, eleito quatro vezes o melhor do mundo) teve a chance de disputar. Queremos ganhar por ele e por todos que gostariam de estar no nosso lugar”, diz Caio Carioca, ala do Minas. “Ouro, quero ouro. Só quero o ouro”, completa Yuri, beque e ala do Pulo do Gato.

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