Extenuado, Marilson finaliza em 5º; ugandense é a surpresa

Brasileiro diz nunca ter lutado tanto na briga por um lugar no pódio. 'Acreditei até o final na conquista da medalha'

AMANDA ROMANELLI , ENVIADA ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2012 | 03h01

Marilson Gomes do Santos passou exaurido pela linha de chegada no The Mall, a avenida das grandes celebrações da Inglaterra, pouco depois do Palácio de Buckingham. Com o propósito de desafiar, mais uma vez, os fundistas africanos, o maratonista brasileiro afirmou ter ido até onde aguentou em busca de uma medalha. Não conseguiu. Terminou em 5.º, em sua última Olimpíada, após ter perseguido os rivais de perto até o fim dos 42.195 metros de prova.

A vitória, de maneira surpreendente, foi de Stephen Kiprotich, de Uganda, em 2h08min01, que deixou para trás os quenianos Abel Kirui (bicampeão mundial) e Wilson Kipsang (que tem o 2.º tempo mais rápido da história).

"Fiz o que pude, dei o máximo de mim, e nunca cheguei tão quebrado em uma maratona como cheguei hoje (ontem)", falou Marilson em sua avaliação, após correr a última prova do atletismo em 2h11min10. "Acreditei até o final na briga por uma medalha, pensando que ia ter uma 'quebra' entre os três primeiros. Mas não teve, e eu saio satisfeito, porque fiz o máximo. Nunca corri uma maratona desse jeito. Pena que não deu para garantir uma medalha."

Marilson se manteve no pelotão de frente da prova até sua metade. Foi quando os três atletas medalhistas - Kiprotich, Kirui e Kipsang - começaram a se destacar. Ayele Abshero, da Etiópia, era o 4.º até o quilômetro 32, quando o brasileiro o ultrapassou para correr sozinho. "É difícil essa situação, em que o atleta corre só, sem um pelotão para mirar", disse o técnico de Marilson, Adauto Domingues. "Ele chegou em 5.º porque tentou o 3.º lugar, deu tudo o que pôde." Na reta final, ele acabou ultrapassado pelo americano Meb Keflezighi. "Foram os últimos 2 km mais difíceis da minha vida. Vim quebrado, me arrastando, totalmente ruim com o desgaste da prova", descreveu o fundista.

O desempenho dos três atletas do País fez com que a despedida do atletismo nacional tenha sido um pouco menos amarga. "Acho que se houvesse uma disputa por países, estaríamos muito bem colocados", avaliou Marilson. Paulo Roberto de Almeida, estreante em olimpíadas, chegou em 8.º lugar, com o tempo de 2h12min17. Franck Caldeira, que disputou os Jogos de Pequim e não terminou a prova, foi o 13.º, com 2h13min35.

Apesar de nunca ter conquistado resultados em grandes competições, o ugandense Stephen Kiprotich não era um desconhecido do mundo da maratona. Após a conquista do ouro, o maratonista explicou o seu segredo para a vitória: foi treinar no Rift Valley, no Quênia, o berço dos homens mais resistentes às provas de fundo.

MARATONA MASCULINA

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