Exterior? ''Agora, não'', diz Hernanes

Volante descarta transferência e pensa apenas em ajudar o São Paulo

Giuliander Carpes, O Estadao de S.Paulo

29 de agosto de 2008 | 00h00

Hernanes passou quase 40 dias com a seleção olímpica, convivendo com jogadores consagrados, ricos e que são estrelas em seus clubes na Europa - como Ronaldinho Gaúcho e Alexandre Pato, no Milan, e Diego, no Werder Bremen, entre outros. Como o mais cobiçado atleta do elenco do São Paulo, seria possível pensar que o volante voltou de Pequim mais motivado para jogar logo no exterior. Mas é um equívoco. Ele está até desestimulado a ir agora para fora do País. "Os jogadores que estão lá enfrentam muitas dificuldades", disse Hernanes, mostrando maturidade. "Não é fácil, não é a maravilha que todos vivem falando. Lá é frio, tem de ficar longe da família, a língua é diferente. Sem contar que a gente pode não se acertar com o treinador e ter problemas de adaptação."O volante tem certa razão, quando lembra do grande número de jogadores que retornam da Europa antes de se firmarem em seus clubes. No próprio São Paulo jogam alguns deles - basta pensar em Rodrigo (ex-Dinamo de Kiev), Anderson (ex-Lyon) e André Lima (ex-Hertha Berlin). "A hora que eu der esse passo, espero estar maduro o suficiente", explicou. "Quando for para o exterior, quero me firmar. Pretendo não voltar mais."Hernanes negou que o fim das negociações com clubes europeus possa atrapalhar sua concentração nas próximas rodadas do Campeonato Brasileiro. O Barcelona chegou a oferecer 15 milhões (R$ 36 milhões) e o Atlético de Madrid e o CSKA Moscou também tinham interesse, mas o São Paulo só aceita vender seus direitos federativos por 25 milhões (R$ 60 milhões). "É muita ilusão que se cria", contou. "Tudo isso pode tirar o foco. Mas, agora, quem foi pra lá foi e quem ficou tem que estar preparado porque o bicho vai pegar no campeonato daqui para a frente."TRAUMA OLÍMPICO O que também pode prejudicar Hernanes é a derrota para a Argentina (3 a 0) na Olimpíada, que fez o sonho da medalha de ouro ser adiado para a seleção brasileira e praticamente ficar esquecido para o jogador - a Fifa libera apenas três atletas com mais de 23 anos nas equipes olímpicas e, em Londres-2012, o volante terá 27. "Provavelmente, foi minha última chance", lamentou. "Esta é uma tristeza muito maior do que a derrota para o Fluminense na Libertadores deste ano, por exemplo, competição em que posso ter outras oportunidades pela frente. Mas tenho de superar."A superação desse "trauma" só será possível se o São Paulo se classificar para o torneio continental neste Brasileiro. Para isso, precisa acabar entre os quatro melhores, posição que ocupou por apenas duas rodadas até o momento. "Quero ajudar o time a ter uma seqüência de vitórias. É isso que está faltando para embalarmos", destacou. "E quando chegarmos à zona de classificação para a Libertadores, aí sim, vamos voltar a pensar em título. Enquanto houver esperança, vamos lutar por isso."MAIOR REFORÇO DO TIME O presidente Juvenal Juvêncio já declarou que não fará contratações até o final do Brasileiro. Ou seja, o meia de ligação sonhado pelo técnico Muricy Ramalho não deve vir mais. Com a notícia, o técnico trata de valorizar o que tem e comemora a volta de Hernanes. "Ele é um jogador muito diferenciado, talvez o único que desarma e sai para o jogo com essa qualidade no Brasil", elogiou.O volante então pode acabar sendo deslocado para a posição de armação já no clássico de domingo contra o Santos, pois o meia Hugo está suspenso pelo terceiro cartão amarelo. "Vou atuar onde o treinador pedir para eu jogar", assegurou. "Mas me adaptar a essa nova função poderia demorar algum tempo. Em um jogo ou outro, a gente até pode fazer."

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