Fabiana é de ouro no salto com vara e na simplicidade

A dona da primeira medalha deouro do atletismo brasileiro nos Jogos Pan-Americanos do Rio éuma pessoa tão simples e elegante que passou boa parte daentrevista relâmpago que os atletas dão assim que deixam apista lamentando o insucesso das adversárias e deplorando asvaias da torcida. Fabiana Murer, 26 anos, nova recordista pan-americana dosalto com vara, pós-graduada em fisioterapia, já é estrela deprimeira grandeza do esporte brasileiro, mas sua alegria após aconquista do ouro pan-americano era de iniciante. "Estou super contente", disse ela de maneira quaseinfantil, combinando com seu sorriso largo exposto pelo cabelopreso por um rabo de cavalo que esvoaça a cada um de seusprecisos saltos. "Vou confessar que estava nervosa no começo, mas conseguidominar a ansiedade ao começar a saltar", contou Fabiana. Para quem olhava de fora, nem parecia. Fabiana só começou asaltar quando o sarrafo estava a 4,30m, depois que muitas desuas competidoras já tinham se esfalfado em tentativas quecomeçaram em 3,45m. Uma de suas principais adversárias, a canadense Dana Ellis,que já saltou 4,51m, ficou pelo caminho ao não conseguir saltaros 4,20. "Fiquei chateada pela canadense ter zerado", lamentouFabiana, na primeira de suas manifestações de solidariedade comas companheiras de modalidade. "Torci também pela argentina(Alejandra Garcia) chegar a 4,35, que seria sua melhor marca, epela Joana (Costa, a outra brasileira na prova) saltar 4,45,índice para o Mundial." Uma das adversárias de Fabiana, porém, também só começou asaltar em 4,30, mas desde esta altura mostrou que teriadificuldades para vencer a brasileira. A norte-americana AprilSteiner foi passando o sarrafo a 4,30m, 4,35m e 4,40m sempre emsua última tentativa, enquanto Fabiana vencia todos deprimeira. Quando a prova chegou a 4,50m, a melhor marca das duasatletas nesta temporada, Fabiana e April falharam na primeiratentativa, mas a brasileira passou na segunda, enquanto anorte-americana perdeu sua segunda chance. Para não entregar logo a medalha de ouro a Fabiana, Aprilusou sua terceira tentativa a 4,55m, mas não foi bem sucedida. "Depois que ela errou, fui para 4,60, que é uma marca boa econsegui. Como saltei bem, fui para 4,68, que seria o meurecorde pessoal", disse Fabiana, dona da marca de 4,66m, queconseguiu no Super Grand Prix de Mônaco, em 2006. "Peguei uma vara mais forte para o salto mais alto, masacabou não dando", contou em tom natural, sem nenhum sentimentode lamentação. Fabiana tratou sua vitória com naturalidade e disse quepela prova ser no Brasil ficava mais fácil para ela, que estavatreinando no país. "As outras têm que viajar, principalmente aamericana e a canadense que enfrentam até 10 horas de avião",comentou em mais uma manifestação de solidariedade. Depois que passou uma temporada treinando com o ucranianoVitaly Petrov, que foi o técnico do maior saltador de vara dahistória, Sergei Bubka, Fabiana elevou suas marcas e seu padrãoé internacional. Daqui a 10 dias, ela segue para torneios naEuropa e em um mês disputará o Mundial de atletismo em Osaka,no Japão. Com a ameaça que passou a representar para asmelhores saltadoras do mundo, vai ser difícil despertar a msemasolidariedade que dispensa às rivais. O primeiro dia do atletismo terminou com mais três bronzes,para Lucélia Peres nos 10 mil metros, Marilson dos Santos nos 5mil metros e Elisângela Adriano no lançamento de disco.

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