Fabiana era ginasta; agora ela voa

Para quem já enfrentou a trave na ginástica olímpica, exercício de alto grau de dificuldade, o salto com vara nem parece tão assustador, embora implique em um vôo, acima dos 4 metros, no naipe feminino ou perto dos 6 metros, no masculino. Fabiana Murer, a atual recordista brasileira do salto em altura ? saltou 4,10 metros, dia 18, no GP Sul-Americano de Montevidéo (URU), melhorando sua própria marca em 4 centímetros ? trocou a ginástica artística pelo atletismo, aos 16 anos. ?Estava ficando alta e velha para a ginástica.? Um teste, na equipe de atletismo Funilense, levou Fabiana para o salto. Acha que poderá chegar ao nível internacional se continuar evoluindo.?É preciso ter coragem, mas depois que colocaram o novo colchão, bem mais largo que o anterior, me sinto mais segura?, afirma Fabiana Murer, que foi convencida pelo técnico Elson Miranda, de 39 anos, que fez salto com vara durante 28 anos, a trocar a ginástica pelo atletismo. O colchão chegou ao Ibirapuera em janeiro, após a reforma da pista de atletismo, no ano passado.Fabiana, de 23 anos, 1,72 m e 60 kg, estudante de fisioterapia, acha que melhorou em tudo com o incremento nos treinamentos, a partir da permanência do técnico italiano Domenico Ingrosso, por cinco meses, em São Paulo. ?Melhorei em tudo, na corrida, na técnica. Parece que tudo sai mais fácil. Estou mais constante e segura.?Elson acha que Fabiana poderá atingir o nível internacional, saltando 4,30 m. ?Com 14 passadas na corrida e a vara a 4,20 m de altura, ela saltou 4,10 m. Acho que quando formos para 16 passadas, saltará 4,30 m.? Fabiana tem a esperança de alcançar o índice olímpico, de 4,25 m, em junho, no Troféu Brasil.O técnico Elson atribui a evolução da atleta ao investimento feito, primeiramente pela equipe BM&F Atletismo, por ele próprio e os atletas, em clínicas e estágios em Fórnia, na Itália, e as vindas do técnico do ex-recordista mundial Sergey Bubka, Vitaly Petrov, a São Paulo. E mais recentemente, a estada do italiano Domenico, assistente de Petrov, com apoio da Confederação Brasileira de Atletismo.?A família da Micaela (Hetkotter, que vai ao Mundial Juvenil de Grosseto, Itália, de 13 a 18 de julho) tinha uma casa em Colônia, na Alemanha. De lá, após pesquisas no país, acabei descobrindo o centro de treinamento de Fórnia, entrei em contato e acabei fazendo uma grande amizade com o Petrov que, aliás, é o treinador do italiano que ganhou o salto com vara no Mundial de Paris, em 2003 (Giuseppe Gibilisco).?Petrov chegou a vir duas vezes para clínicas com os saltadores em São Paulo. Os saltadores também fizeram duas clínicas em Fórnia. ?Mas com o Domenico aqui pudemos desenvolver mais a nossa técnica, aprender mais mesmo sobre intensidade e volume nos treinamentos. Como não há, no Brasil, tradição no salto com vara, não tínhamos alguns parâmetros.?

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